Gatos

Gatos (Kedi) (Documentário); Direção: CeydaTorum; Turquia/EUA, 2016. 119 Min.

Seleção oficial nos festivais de Vancouver, Seattle, Full Frame, Doc Fest, Melbourne e Festival de Filmes independentes de Istambul “Gatos” e um documentário que aborda o cotidiano de uma centena de felinos da cidade de Istambul através de sete gatos escolhidos para serem acompanhados pela cineasta Ceyda Torum.

Istambul, a cidade mais famosa da Turquia e conhecida por seus portos, pelos quais trafegavam mercadorias  e fomentavam o comércio entre a Ásia e a Europa, e também uma cidade que comporta uma imensa quantidade de gatos de diversas raças. Isso se explica pelo desembarque de felinos de diversas partes do mundo dos navios aportados e que não retornavam às embarcações, ao longo da História da humanidade. Por causa disso a variedade de raças é grande. A partir de um contingente significativo e da presença dos bichanos junto aos humanos desde a era egípcia ( que é quando se tem  registros), a documentarista Ceyda Torun resolveu acompanhar seus cotidianos e o de seus donos.

Foram escolhidos sete gatos com personalidades diferentes, ambientes diferentes, e donos idem. Cada um com uma historia para contar e com significados diversos em relação aos gatos em suas vidas. Tudo isso envolto em uma aura mistica evocada pelos próprios gatos em sua singularidade em relação aos outros animais. Laureado com o prêmio do juri de melhor filme de família no Sidewalk Film Festival “Gatos” tem referências musicais interessantes  como analogias, por exemplo, “Três Homens em Conflito” (1966) numa trilha sonora assinada por Kira Fontana. Quanto a diretora Ceyda Torun é seu primeiro longa-metragem.

O documentário é uma homenagem e reverência a essas criaturinhas peculiares que acompanham a história da humanidade desde outras eras como animais domésticos, e que apesar do tempo e da mistura conosco, continuam mantendo sua aura mística e altivez. Altamente recomedável para quem gosta de gatos e para  quem quer saber um pouco mais sobre eles e, quiçá, passem a gostar.  A abordagem de Ceyda Torum é a de aproximação, de despertar a curiosidade e de relato de experiências. Vale a pena conferir!

A diretora: Ceyda Torun

 

 

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Soundtrack

Soundtrack (Drama); Elenco: Selton Mello, Ralph Ineson, Seu Jorge, Thomas Chaanhing. Lukas Loughan; Direção: Bernardo Dutra, Manitou Felipe; Brasil, 2014. 112 Min.

Um filme brasileiro com título original em inglês e versado no mesmo idioma nos diz que os efeitos da globalização chegaram para valer, pois o fato proporciona maiores oportunidades de mercado. Polêmicas à parte o filme foi produzido pela 300ml uma produtora que vem se estabelecendo no mercado com  nomes da propaganda. O roteiro do longa fala sobre o que somos capazes de fazer para eternizarmos nossas obras, a velha questão do legado, seja ele científico ou artístico. E ainda passeia de maneira bem sutil sobre as questões relativas ao embate entre ciência e religião, no discurso.

Um fotógrafo, Chris ( Selton Mello) recebe autorização para visitar uma estação de pesquisas nas geleiras para fazer criações artísticas para sua próxima exposição. Lá encontra os cientístas: Cao ( Seu Jorge) um botânico brasileiro; Mark (Ralph Ineson) um inglês que pesquisa o aquecimento global; Rafnar (Lukas Loughran) um pesquisador dinamarquês e Huang (Thomas Chaanhing) um biólogo chinês. Essa mistura de culturas, de ciências de áreas diferentes, de diferentes formas de ver o mundo vai encontrar uma intersecção: a música. A ciência a arte e a religião naquela imensidão branca é o pano de fundo de movimento  de pensamento naquele imenso deserto gelado.

O longa metragem trabalha com pontos de vista, cuidados ao semelhante, a importância do outro nas relações humanas, a administração da vida pessoal, dos anseios, das ambições profissionais com a vertente de legado, daquilo que queremos deixar para o mundo com a nossa cara e com a nossa digital. A abordagem é aberta sem conduções ou induções. Ou seja, deixa o espectador livre para fazer suas ilações. O veio condutor são os discursos e seus silêncios e, em meio a isso, também entra a discussão sobre como vemos o cosmos, ou a energia que nos orienta, ou deus, como se quiser chamar. O filme tem uma pegada inteligente.

06 de Julho de 2017 – IMAGEM DA EXPOSI
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Bernardo Dutra e Manitou Felipe em sua primeira experiência com longa-metragem de ficção como diretores, trabalharam numa obra existencialista minimalista que usa os sentidos e a percepçãodo outro  como ponte para tudo. O nada do ambiente exterior antagoniza com o universo diverso e complexo do interior do homem (humanidade), com o tanto de questões, potencialidades e ‘quereres’ do indivíduos se esbarrando,m se digladiando e se harmonizando. A pegada é altamente subjetiva.

 

“Soundtrack” só peca no que temos de veia verde-amarela em relação a filmes nacionais – o idioma – e não ser chamado de “Trilha Sonora” no original. O que de certa forma é ate um certo engessamento egoísta  e meio tosco, mas é um grito bobo de dentro de nós de vermos filmes com a nossa bandeira falado em nossa língua. No mais o filme é inteligente, sutil e com cara de produção canadense. Trabalha magistralmente com o som. E nesse aspecto, nos remete aos filmes “O Som ao Redor” (2012) e “Redemoinho” (2016) em que o som é quase um personagem na história.  Para quem gosta do estilo é uma boa pedida.

 

 

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Poesia Sem Fim

Poesia Sem Fim (Poesia Sin Fin) (Biografia /Drama/Fantasia); Elenco: Adan Jodorowsky, Brontis Jodorowsky, Leandro Taub, Pamela Torres; Direção: Alejandro Jodorowsky; Chile/França, 2016. 128 Min.

Mistura de artes cênicas (mímica, teatro, circo e ópera) e artes plásticas (alegorias e trabalhos artesanais) com filosofia existencial e literatura “Poesia Sem Fim” é a continuação de “A Dança da Realidade” (2013) do cineasta chileno radicado na França, Alejandro Jodorowsky e faz parte de uma pentatologia. Ambientado no Chile da primeira metade do século XX o longa tem como recheio a poesia e a subversão nos diversos âmbitos da vida; do familiar ao político. E ainda usa a dissonância como tempero para sua narrativa.

Cheio de vida, no discurso e nas alegorias, e falando de vida em essência, a história dirigida por Jodorowsky é uma autobiografia com surrealismo e alguma pitada de escatologia. Se detém na sua descoberta como artista e usa o cinema para conversar consigo mesmo e curar feridas do passado, como um deus humano que descobriu a chave para ‘consertar’ dentro de si e publicamente o que a vida não permitiu que o fizesse de fato. Reafirmando sua posição como cidadão, como artista e como homem/pessoa, fala de amores, relações sociais – amizade, família e profissão- mas o viés é existencialista e através do usos das artes dentro da arte cinematográfica. As metáforas que remetem ao ato de viver, para além do discurso, vai do poder da escolha e seus preços ao exercício da sexualidade com abordagens fora da caixinha e com uma atuação caricata lembrando o exacerbo teatral. O longa é uma projeto familiar de crowdfunding, no palco/enquadramento se encontram o próprio Alejandro e seus filhos: Adan e Brontis. Na trilha sonora que evoca a nostalgia, Adan, Que além do papel principal, também assina a categoria.

Alejandro, do alto dos seus 88 anos, foi discípulo de Marcel Marceau, Dirige o longa e atua, entrando em cena conversando consigo mesmo jovem – o seu eu ontem – fazendo uma espécie de consciência. A linha de abordagem levou o prêmio do público no Festival de St Paul de Mineápolis e duas indicações: melhor filme estrangeiro no Festival de Munich e Melhor narrativa no Festival de São Francisco.

“Poesia Sem Fim”  tem a veia teatral e filosófica de “Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo sobre a Existência” (2014) e conta a história da juventude de Alejandro Jodorowsky contada por ele mesmo com seu viés político e extravagância cênica. Ali, Alejandro faz as pazes com seu pai. Ali, Jodorowsky é réu e juiz de si mesmo com uma cola subjetiva singuler – a lógica da vida fora da lógica imposta. Um primor para quem aprecia o cinema arte.

 

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Detetives do Prédio Azul (D.P.A) – O Filme

Detetives do Prédio Azul (D.P.A) – O Filme (Mistério/Aventura/Família); Elenco: Letícia Braga, Andreson Lima, Pedro Henrique Motta, Tamara Taxman, Suely Franco, Maria Clara Gueiros; Direção: André Pellenz; Brasil, 2016. 90 Min.

Nascido de uma mini-série de TV que teve início em 2012 “Detetives do Prédio Azul” tem como características a ingenuidade, o purismo infantil e alguma pitada didática com aspectos educacionais. Dirigido por André Pellenz de “220 Voltz” (2011) e “Minha Mãe é uma Peça – O Filme” (2013) o longa lembra “O Castelo Ra-Tim-Bum” (1994-1997) e “As Aventuras do Tio Maneco” (1971).

A história consiste nas aventuras de três crianças de um condomínio que têm um clube de detetives e que resolvem todos os ‘casos estranhos’ do lugar onde moram – o Prédio Azul. Misturados a um contexto de magia, uma narrativa de literatura infantil e com muito incentivo à cognição, o longa respeita os descansos de atenção dos menorezinhos, com muita ação e aventura espaçadas por raciocínios lúdicos, musicidade  e cores vibrantes bem ao estilo infantil. Nesta produção o trio Sol ( Letícia Braga), Bento (Anderson Lima) e Felipo ‘Pipo’ (Pedro Henrique Motta) investigam o sumiço do retrato de Vó Berta (Suely Franco) e junto com ele os amuletos de três bruxos que estavam na festa de Dona Leocádia (Tamara Taxman) com o objetivo de salvar o edifício onde moram. A partir daí o que temos é muito humor ingênuo, fomento a inteligência investigativa e à cognição como muito poucas produções, hoje em dia, ousam fazer. O Longa lembra o “Castelo Ra-tim-bum” em sua vibe de magia e didatismo e “As Aventuras do Tio Maneco” na relação dos adultos com as crianças no quesito respeito ao seu mundo sem fronteiras entre a magia e a realidade e à lógica delas. Eminentemente infantil, a classificação para o longa foi definida para 3 anos em diante.

Quanto os aspectos técnicos, o roteiro de L.G.Bayão e Flávia Lins e Silva é competente quando dá poder a lógica infanto-juvenil e que, em nada exclui os mais ‘velhos’. Ao contrário, a graça vem daí, tanto jovens quanto adultos viajarem na lógica infantil e nas suas ausências de muros preconceituais de qualquer aspecto. O figurino assinado por Marcelos Pies é bem definidor da personalidade de cada um, e as atuações caricatas dos bruxos estão no tom para darem vida e sentido para os mais novinhos e isso é lido nas cores muito bem usadas para tal.

“Detetives do Prédio Azul (D.P.A) – O Filme” é um produto de qualidade para o público infantil e  didático do ponto de vista da plasticidade e do engendramento da história. Nas atuações os destaques para Octávio Müller (o Bruxo Jaime Quadros) e George Sauma (Pietro), Tamara Taxman (A Bruxa Leocádia) e Maria Clara Gueiros (a Bruxa Mari P). Concluindo, vale o ingresso e é diversão certa para as crianças e saudosismo garantido para os papais e mamães.

 

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming) (Ação/Aventura/Ficção-Científica); Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr, Marisa Tomei; Direção: Jon Watts; USA, 2017. 133 Min.

Desde a edição nº15 de Amazing Fantasy (1962) que o Homem-Aranha prenunciou seu sucesso. Criado como adolescente, autodidata, aluno do ensino-médio que sofre um acidente radioativo, o pequeno Peter Parker se transformou, numa espécie de, semelhança do leitor das Histórias em Quadrinhos (HQs) que tem potencial para se transformar em um herói. Com mentor, pela  primeira vez, a personagem em “Homem-Aranha: De Volta ao lar” é uma produção muito bem ‘linkada’ com os acontecimentos do universo Marvel do cinema e ainda nos premia com uma atuação na medida de Tom Holland.

Os links principais do longa, são: o espólio de guerra da batalha dos “Vingadores: Era de Ultron”, que é onde Abutre (Michael Keaton) garimpa seu material; e a apresentação do homem-Aranha como um pirralho empolgado em “Capitão América: Guerra Civil”. Pela conexão JonWatts, que estreia na direção no universo Marvel e mais seis roteiristas, dentre eles: Chris McKenna de “Lego Batman: O Filme”,  foram felizes e conseguiram alinhavar uma história que, parece, inaugurar uma irreverência ainda maior na extensão cinematográfica da marca (vide o teaser/trailer de “Thor: Ragnarok” que estreia em outubro Aqui! ).

SPIDER-MAN™: HOMECOMING

No filme de Jon Watts, Peter Parker (Tom Holland) é apresentado aos quinze anos, estagiário das empresas do Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), tentando provar para si e para o seu mentor que pode ser adulto, que pode ser responsável, que pode salvar o mundo e….que pode ser da esquipe dos Vingadores. O longa é um desenho do arquétipo do Home-Aranha desde a sua criação e é uma aventura recheada de comédia com as benção de Stan Lee (Sim, ele aparece, é claro!). Como todo o filme do universo estendido das HQs as referências são fundamentais. Além das já citadas como links, tem também, “Curtindo a Vida a Doidado” (1986) de John Hughes e a trilha original do primeiro desenho animado do Spider-Man da década de 60 sob a batuta de Michael Giacchino, logo no início da exibição.

SPIDER-MAN™: HOMECOMING

Em suma, o mascote da Marvel está com força total, numa vibe adolescente. Tem como vilão o Abutre  que é um dos seus principais dentre o Dr. Octoplus e o Lagarto. O que torna tudo bastante clássico, aproximando ainda mais, (para quem conhece e curte) o universo cinematográfico com o universo  dos quadrinhos. Com fotografia assinada por, ninguém menos que, Salvatore Totino, responsável pelos vídeos de Bruce Springsteen e U2,  o longa  se torna arrebatador para os fãs e convida outros fãs. Vaticinando? Divertidíssimo!

 

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Anunciada a Seleção Oficial do Festival de Cinema de Gramado 2017

Foto: Pauta Assessoria

Em cerimônia realizada na cinemateca do Capitólio em Porto Alegre na manhã desta terça-feira(11) foi anunciada a seleção oficial dos longas e curtas metragens a serem exibidos na 45ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Com as presenças do Prefeito da cidade, dos secretários de cultura do Rio Grande do Sul e de da cidade de Gramado e dos curadores: Rubens Ewald Filho e Marcos Santuário e da imprensa especializada foi dada a largada para o mais tradicional Festival de Filmes do Brasil.  O Festival de Gramado é famoso por exibir filmes brasileiros e latino-americanos inéditos no país  cujas primeiras exibições e premiações aconteceram em festivais como Sundance, Moscou, Rotterdam, Punta Del Este  e outros ou ainda, que não foram exibidos ainda. Os filmes que concorrerão aos prêmios da edição de 2017 que acontece de 17 a 26 de Agosto, são:

Filme de Abertura: “João, o Maestro” de Mauro Lima (fora de competição)

Em competição:

Longas-metragens brasileiros:

  • “A Fera na Selva” (SP) de Paulo Betti, Eliane Giardini e Lauro Escorel
  • “As Duas Irenes” (SP) de Fábio Meira
  • “Bio” (RS) de Carlos Gerbase
  • “Como Nossos Pais” (SP) de Lais Bordanzky
  • “O Matador” (PE) de Marcelo Galvão
  • “Não Devore meu Coração” (RJ) de Felipe Bragança
  • “Pela Janela” (Brasil/Argentina) de Caroline Leone

Longas-metragens estrangeiros:

  • “Los Niños” (Chile/Colômia/Holanda/França) de Maitê Alberdi
  • “Pinamar” (Argentina) de Frederico Godfrid
  • “El Sereno” (Uruguai) de Oscar Estévez e Joaquim Mauad
  • “Sinfonia para Ana” (Argentina) de Virgínia Molina e Ernesto Ardito
  • “El Sonido de las Cosas” (Costa Rica) de Ariel Escalante
  • “La Ultima Tarde” (Peru) de Joel Calero
  • “X500” (Colômbia/Canadá/México) de Juan Andrés Arango

Curtas-metragens brasileiros:

  • “#feique” (RJ) de Alexandre Mandarino
  • “A Gis” (SP) de Thiago Carvalhaes
  • “Cabelo Bom” (RJ) de Swahili Vidal
  • “Caminho dos Gigantes” (SP) de Alois de Leo
  • “Mãe dos Monstros” (RS) de Julia Zanin de Paula
  • Médico de Monstro” (SP) de Gustavo Teixeira
  • “O Espírito do Bosque” (SP) de Carla Saavedra Brychcy
  • “O Quebra-cabeças de Sara” (RJ) de Allan Ribeiro
  • “O Violeiro Fantasma” (GO) de Wesley Rodrigues
  • “Objeto/Sujeito” (SP) de Bruno Autran
  • “Postergados” (SP) de Carolina Marcowicz
  • “Sal” (SP) de Diego Freitas
  • “Tailor” (RJ) de Cali dos Anjos
  • “Telentrega”(RS) de Roberto Burd

Curtas-metragens gaúchos (Prêmio Assembléia Legislativa)

  • “10 Segundos” (Canoas) de Thiago Massimo
  • “1947” (Porto Alegre) de Giordano Gio
  • “Através de Ti” (Santa Cruz do Sul) de Diego Tafarel
  • “Bicha Camelô” (Poelotas) de Wagner Previtali
  • “Cores de Bissau” (Porto Alegre) de Maurício Canterle
  • “Gestos” (Porto Alegre) de Alberto Goldim e Júlia Cazarré
  • “Kathársis” (Caxias do Sul) de Mirela Kruel
  • “Luna 13” (Porto Alegre) de Filipe Barros
  • “Mãe dos Monstros” (Porto Alegre) de Júlia Zanin de Paula
  • “Secundas” (Porto Alegre) de Cacá Nazario
  • “Sena, os Fios em Prosa” (Porto Alegre) de Emiliano Cunha
  • “Solito” (Porto Alegre) de Eduardo Reis
  • “Telentrega” (Porto Alegre) de Roberto Burd

 

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Perdidos em Paris

Perdidos em Paris (Paris Pieds Nus) (Comédia); Elenco: Fiona Gordon, Dominique Abel, Emmanuelle Riva, Pierre Richard; Direção: Dominique Abel & Fiona Gordon; França/Bélgica, 2016. 83 Min.

Seleção oficial do Festival Varilux de Cinema Francês e ganhador do prêmio Pérola Rara do Festival Internacional de Denver e, ainda, do prêmio do público no Festival de Mill Valley “Perdidos em Paris”  é uma homenagem aos filmes da década de 50 inspirados em comediantes como Charles Chaplin, Jacques Tati e Buster Keaton. Com tiradas de cartoon e uma expressão corporal magnífica, o longa dirigido por Dominique Abel e Fiona Gordon é uma comédia estilosa e artísticamente bem acabada.

A história consiste na procura por tia Martha (Emmanuelle Riva) que, após décadas vivendo em Paris, se aposentou como dançarina e está prestes a ser mandada para um asilo. En fuga, Tia Martha, escreve para sua sobrinha Fiona (Fiona Gordon) que sai do Canadá e vai a Paris encontrá-la. Se perde, encontra um mendigo de bem com a vida, Dom (Dominique Abel) e essas três criaturas peculiares se procurando em Paris entram nas mais inusitadas e hilárias situações. Inspirado nos filmes: “Em Busca do Ouro” (1925) de Charles Chaplin; “Zazie no Metrô” (1960) de Louis Malle e; “O Atalante (1934) de Jean Vigo a comédia caricatural, escrita, dirigida, estrelada e produzida por Abel & Gordon é uma pérola que nos faz viajar pelo que tinha de clássico nas comédias do início da história do cinema. Aos mais ‘jovens’ nos remete às trapalhadas de Mr. Magoo. E ainda nos brinda com um tango dançado por Dom e Fiona e uma outra cena com Emmanuelle Riva e Pierre Richard no cemitério de Passy que é emocionante. Além de uma cena especial que é quase uma despedida de Riva no alto do Rio Sena contemplando toda Paris. A atriz faleceu três meses antes da estreia do filme na França.

O casal protagonista são parceiros na vida real há mais de 30 anos. Fiona foi palhaça profissional de circo e os dois se conheceram nesse metiê. Trabalham em conjunto com o diretor e roteirista Bruno Remy que aparece como figurante na cena do restaurante ( fato raro). Primo distante de Chaplin, Dominique Abel não nega a genética com uma expressão corporal que salta a tela, mesmo com sua caracterização de morador de rua.

O filme se destaca pelas atuações e a sincronia delas. Mas a trilha sonora rouba a cena. Principalmente nas duas execuções de “O  Último Tango em Paris” de Gato Barbieri. Para que gosta de arte em forma de comédia, com uma história simples. E como souvenir uma das últimas atuações de Emmanuelle Riva, “Perdidos em Paris” é um bom prato.

 

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