A Morte Te Dá Parabéns

A Morte Te dá Parabéns (Happy Death Day) (Horror/Mistério/Thriller); Elenco: Jessica Rothe, Israel  Broussard, Rubi Modine; Direção: Christopher Landon; USA, 2017. 96 Min.

Os filmes de terror estão cada vez mais misturados a outros gêneros, e assim mais próximos do cotidiano do espectador e portanto mais leves. Em “7 Desejos” (2017)  de John Leonetti tivemos essa mesma pegada de mistura de gêneros e um enredo bem crível, dentro do possível no mundo da fantasia. Da mesma forma acontece com “A Morte Te Dá Parabéns”. Com um argumento simples, um enredo bem costurado, um pouco de comédia e uma boa direção, o longa prende a atenção, dá alguns sustos, usa de clichês do terror em doses homeopáticas e diverte.

O argumento é simples, uma jovem, Tree (Jessica Rothe) está cursando a faculdade e faz parte de uma fraternidade. Mora numa república e no dia do seu aniversário ela é assassinada e fica presa num looping acordando sempre no mesmo dia – o do aniversário – e com isso ela tem a chance de descobrir quem é seu assassino e evitar morrer… de novo. O desencadear da história é inteligente, não cansa, é diverso e divertido. Mistura os gêneros: policial, comédia, terror e romance e, ainda, tem um final inesperado, fugindo do óbvio.

A direção de Christopher Landon de “Paranóia” (2007) e “Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal” (2014) mandou bem nos diferentes humores de cada retorno ao looping. Mesmo com os fatos se repetindo não ficou chato nem cansativo, ao contrário, desperta mais curiosidade no espectador e enche  história de graça. As atuações estão muito boas, principalmente, a de Jessica Rothe. A trilha sonora ajuda na condução da variação de atmosfera e foi composta por Bear McCreary de “Rua Cloverfield, 10” (2016), oriundo de séries e filmes de TV.

Em suma, “A Morte Te Dá Parabéns” entra nesse novo nicho light de terror que cumpre sua função de provocar tensão, mas ao mesmo tempo dá uma aura divertida à história. Até porque, o terror não está nos clichês do gênero, mas no cerne da história. Já imaginou acordar várias vezes no mesmo dia, sabendo tudo o que vai acontecer, inclusive que você morre no final? Pois é, esse enredo rendeu medo, revolta, chances de perdão, um espaço para investigação policial e muita gargalhada. Bonzinho, o filme.

Advertisements
Posted in crítica cinematográfica | Tagged , , , , , , , , , | Leave a comment

Detroit em Rebelião

Detroit em Rebelião (Detroit) (História/Drama/Crime); Elenco: John Boyega, Will Poulter, Algee Smith, Jacob Latimore, Jasom Mitchell, Hanah Murray, Kaitlyn Dever, Ben O’toole; Direção: Kathlyn Bigelow; USA, 2017. 143 Min.

Dois filmes abordam os protestos de Detroit de julho de 1967, “12th and Clairmount” de Brian Kauffman e “Detroit em Rebelião” de Kathlyn Bigelow. O primeiro, um documentário que juntou vídeos e fotos de antes, durante e depois do distúrbio civil, mostrando uma Detroit próspera e em seguida uma Detroit destruída. O segundo, uma junção de imagens de arquivo e dramatização de um fato em particular: os abusos policiais ocorridos no motel Algiers no terceiro dia dos eventos de confronto.

O longa-metragem dirigido por Kathlyn Bigelow de “A Hora mais Escura” (2012) e “Guerra ao Terror” (2008), está contextualizado nos quatro dias de distúrbios ocorridos na cidade de Detroit em julho de 1967. Considerado o pior na História da cidade desde o de 1943. O estopim foi uma batida policial ocorrida num bar ilegal na esquina das ruas 12 com a  Clairmount, que comemorava o retorno de dois veteranos de vietnã. Todos os frequentadores foram presos, incluindo 82 negros. Os moradores,então, iniciaram uma série de protestos sem trégua que evoluiram para quebra-quebra, saques, incêndios e tiroteios se espalhando por vários bairros da cidade. Com a falta de controle a Guarda Nacional foi acionada juntamente com o Exército americano deixando um saldo de 43 mortos, 1189 feridos e dois mil edifícios destruídos.

O que Kathlyn Bigelow e Mark Boal (roteirista) fazem,  é pinçar um episódio chocante dentro desse contexto e destrinchar-lhe os acontecimentos: a invasão da Guarda Nacional ao motel Algiers, onde três jovens negros foram mortos, outros sete espancados e com eles duas mulheres brancas. E fazer o espectador acompanhar o desfecho dessa história horrenda. O mote do filme é mostrar a gratuidade do racismo, enfatizar a crueldade humana e mostrar o quanto ainda carecemos de evolução. O longa não apresenta considerações ou conclusões, deixa isso nas mãos do espectador. Mas, dramatiza de forma brilhante os fatos ocorridos, colhidos através de depoimentos atuais e documentos e registros da época.

Kathlyn Bigelow tem um talento especial para pinçar os aspectos mais potentes de uma questão polêmica em meio a atrocidades,  desmandos, suspensão de direitos e abusos de poder. Foi assim em “A Hora Mais Escura” onde ela conta a história da suposta prisão de Osama Bin Laden. Outros aspectos que compõem essa ópera de horror com competência é trilha sonora de James Newton Howard de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (2016), a fotografia genial de Barry Ackroyd de “A Grande Aposta” (2015) e a edição cirúrgica de Willian Goldenberg de “O Jogo da Imitação” (2015). Mas, o forte mesmo é o roteiro, o recorte feito,  e as atuações, principalmente, a de Will Poulter (o policial Krauss).

Em suma, é um filme para tirar de lugar comum, com uma abordagem competente e que contribui para pensarmos o quanto somos covardes e equivocados cheios de certezas. O filme é um dos grandes dessa diretora corajosa que se aventura na seara da violência e dos desmandos humanos com uma assertividade impressionante. O longa-metragem é para quem tem estômago forte e vale muito a pena assistir.

A diretora Kathlyn Bigelow

 

Posted in crítica cinematográfica | Tagged , , , , , , , , , , | Leave a comment

Churchill

Churchill (Biografia/Drama/Thriller); Elenco: Brian Cox, Miranda Richardson, John Slattery, Julian Woodham, James Purefoy, Ella Purnell; Direção: Jonathan Teplitzky; Reino Unido, 2017. 105 Min.

Winston Churchill (1874-1965) ex-primeiro ministro britânico e famoso por sua atuação na Segunda Guerra Mundial tem sua biografia ovacionada em dois longas-metragens esse ano. O fashion, dirigido por Joe Wright e estrelado por Gary Oldman e o cult dirigido pelo australiano Jonathan Teplitzky com Brian Cox como o personagem histórico. Ambos visam dar uma ideia da personalidade da autoridade inglesa, um pela ousadia, coragem e heroísmo e o outro mostrando um homem comum, cheio de conflitos, dado à depressão, mas, nem por isso menos brilhante. Apenas, mais humano, mais próximo do homem comum. E é sobre esta abordagem que “Churchill” nos apresenta um dos homens mais expostos do lado aliado na Segunda Grande Guerra de forma magistral.

A abordagem é feita pela historiadora e pesquisadora britânica Alex Von Tunzelmann no roteiro e pelo diretor Teplitzky num recorte de tempo que corresponde às 96 horas anteriores ao dia D – a invasão da Normandia – conhecida oficialmente como operação Overlord e a primorosidade de detalhes é uma degustação à parte para quem gosta de História. O longa é comparável ao filme “Diplomacia” de Volker Schlöndorff que tem a mesma pegada – a dialogal – é sobre o mesmo período só que entre um embaixador francês e um comandante alemão. Também fatos reais.

Em “Churchil” temos um político apaixonado, inflamado por suas responsabilidades, auxiliado por sua mulher Clemmie (Miranda Richardson), seus assistentes e sua secretária Helen Garret (Ella Purnell). O viés é o da pessoa do chefe de Estado, sua vida pessoal, sua intimidade dentro do contexto abarcado, suas responsabilidades e angústias e não da instituição Primeiro-Ministro. O forte do longa é o roteiro que mistura as duas coisas na dose certa e ainda tem diálogos políticos/estratégicos procedentes e ricos em detalhes.

O destaque para essa produção cinematográfica de qualidade são as atuações brilhantes, começando por Brian Cox de “Tróia” (2002) como Churchill e todo o seu núcleo, que inclui Miranda Richardson, John Slattery  como Dwight Eisenhower  de “Spotlight” e Julian Woodham como General Montgomery de “A Nona Vida de Louis Drax”. A direção de Jonathan Teplitzky de “Uma Longa Viagem” é pontual, discreta, objetiva e bem enxuta e iça o homem Winston Churchill à admiração, mesmo que contida e polida.

Para quem gosta de História e de biografias é, simplesmente, imperdível.

Posted in crítica cinematográfica | Tagged , , , , , , | Leave a comment

Blade Runner 2049

Blade Runner 2049 (Ficção-Científica/thriller); Elenco: Harrison Ford, Ryan Gosling, Robin Wright, Ana de Armas, Jared Leto; Direção: Denis Villeneuve; USA/Reino Unido/Canadá, 2017. 163 Min.

“Blade Runner 2049″é um dos filmes mais esperados do ano. Uma responsabilidade e tanto para Denis Villeneuve. Pretendendo ser a continuação de “Blade Runner: O Caçador de Andróides” (1982) o longa faz bonito em explicar o que aconteceu com Rick Deckard (Harrison Ford) e fazer disso o chão para contar uma história inteligente e profunda com a mesma aura do primeiro longa, porém, sem muita ação.

O contexto do filme é a Califórnia de 2049. 30 anos depois do caçador de Andróides Deckard fugir com replicante Rachael (Sean Young). Dessa história de amor nasceu um ser híbrido, metade humano metade replicante – o chamado milagre  – e o agente K (Ryan Gosling), que trabalha como caçador de andróides da geração antiga – os desobedientes – no meio do caminho se depara com essa história e decide procurar por essa criança com o aval de sua chefe Lieutenant Joshi (Robin Wright). Esse é o argumento para uma história cheia de nuances que aborda solidão, mistura de espécies – replicantes e hologramas/ humanos e replicantes – a necessidade de amor, a necessidade de ser importante para alguém, a necessidade de ser único (original). A hipótese de se criar uma terceira espécie abarca o movimento da vida num tempo em que não existem fronteiras, e o poder do amor. Sim, o filme é filosófico. Quem procurar ação em demasia – como estamos acostumados em outras obras – e altas tatibilidades não vai encontrar.

O longa metragem dirigido por Villeneuve de “A Chegada”(2016) e “Sicário” (2015) é profundo em relação a abordagem dos temas que traz à baila. Produzido por Ridley Scott, que dirigiu o primeiro filme ele tem as bençãos do mesmo roteirista: Hampton Fancher e continua sendo uma história baseada no livro: “Do Androides Dream of Eletric Sheep?” de Philip K. Dick mas com inserções temporais bastante procedentes.

Para os que gostaram da abordagem temática do filme de 1982 essa nova é um bom caldo para pensar questões futuristas das relações humanas e que, possivelmente, façam uma ponte com um terceiro longa. Só faltou o Vangelis para fomentar uma passeio no tempo com seu tema clássico. Não que Hans Zimmer e Benjamim Wallfisch não tivesse feito um bom trabalho, pelo contrário, eles mantiveram a atmosfera do primeiro longa metragem de forma magistral, mas faltou o tema original. Já para a nova geração de humanos, cujos filmes de ficção-científica são genéricos de “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, o longa vai decepcionar. A opção de Ridley Scott, Denis Villeneuve e Hampton Fancher foi a de fazer um hiato explicativo importante e coerente. Resta saber se comercialmente foi inteligente. A decisão deu escopo ao filme, resta saber se vai dar bilheteria.

Nessa linha de raciocínio de decisões que são importantes para manter viva uma obra para além do tempo de exibição no circuito e dar preferência à bilheteria  podemos comparar com o “Quarteto Fantástico” (2015) de Josh Trank em que, com tantos aspectos filosóficos poderosos para abordar (por exemplo: o uso dos heróis como arma de guerra e a vocação da humanidade para a destruição, levantados pela mulher invisível e por Dr. Doom, respectivamente) optou-se pela ação vazia, porque é essa a expectativa do público alvo; e acabou sendo um retumbante fracasso. No caso de “Blade Runner 2049” foi coerente a decisão de manter o nível subjetivo e profundo das questões. Porque ao logo do tempo a conexão e a harmonia entre a primeira obra e essa será percebida dando a ela outro valor.

Em suma, já está em cartaz e o grande juiz será o público. O filme é bom e altamente recomendável para a galera que assistiu “Blade Runner: O Caçador de Andróides” de 1982. Aí sim, vocês vão entender do que falo. Boa Sessão!

Posted in crítica cinematográfica | Tagged , , , , , , , , , , | Leave a comment

Coletiva da 41ª Mostra de Cinema de São Paulo

 

crédito: mostrasp_fotos

#MostraInternacionalSaoPaulo2017  #Cobertura #Cinema #FestivalDeFilmes

Hoje foi dada a largada na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com o  anúncio dos filmes confirmados, homenageados e toda a programação, com a presença dos patrocinadores e da diretora da Mostra Renata de Almeida no Espaço Itau de Cinema – Augusta – em São Paulo.

A mostra de cinema paulista acontece de 19/10/ a 01/11/ e conta com 394 títulos de diversos países e 30 curta-metragens. Os filmes serão exibidos em mais de 30 espaços espalhados pela cidade entre espaços culturais e cinemas, incluindo exibições gratuitas ao ar livre. Dos títulos que serão apresentados na mostra 98 são dirigidos por mulheres, como “Esplendor” de Naomi Kawase, “Zama” de Lucrécia Martel. E dentre eles, 18 são dirigidos por brasileiras.

Os Homenageados serão Agnes Varda com o Prêmio Humanidade e com exibição de 11 filmes da cineasta; o diretor Paul Vecchiali com o prêmio Leon Cakoff e o ator Brasileiro Paulo José. O país em destaque é a Suíça apresentando filmes contemporâneos com uma retrospectiva da obra de Alain Tanner, a exibição de curtas do animador George Schwizgebel e um filme inédito do cineasta Jean-Luc Godard feito para TV.

Terá também a competitiva Novos Diretores cujos vencedores receberão o Troféu Bandeira Paulista. Na perspectiva internacional serão apresentados filmes recém-premiados de diretores consagrados e a  produção brasileira ganha destaque disputando o Troféu Petrobrás de Cinema.

A 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo terá, ainda, exibição de filmes no interior de São Paulo através da itinerância promovidas pelo SESC e pelo Instituto CPFL. A tradicional programação do vão livre do MASP incluirá filmes participantes das homenagens ao ator Paulo José como: “O homem Nu” (1997) de Hugo Carvana, “Macunaíma” (1969) e “O Padre e a Moça”(1966) de Joaquim Pedro de Andrade.

O filme de abertura é “Human Flow – Não existe lar se não há para onde ir ”  do artista e cineasta Ai Weiwei que versa sobre a crise mundial dos refugiados  que será exibido no dia 18/10 no auditório do Ibirapuera.  O filme de fechamento é “L’Atelier”  de Laurent Cantet que contará com a presença do diretor.

Lista dos principais filmes confirmados:

 

  • Do Festival de  Cannes:

The Square  – Robert Östlund (vencedor da Palma D’ouro)

Loveless – Andrey Zvyagintsev (prêmio do Juri)

Esplendor – Naomi Kawase (Juri ecumênico)

Happy End – Michael Haneke

O Dia Depois – Hong Sang-Hoo

Lover For a Day  – Philippe  Garrell

A trama – Laurent Cantet

 

  • Do Festival de Veneza

Custódia – Xavier Legrand  (Leão de Prata de Melhor direção)

Emma – Silvio Saldini  (Hors Concours)

Nico, 1988 – Suzanna Nicchiarelli

Sem Data, Sem Assinatura – VAhid Jalilvand

Os Versos Esquecidos – Aireleza Khtami

 

  • Do Festival de Berlim:

Felicité – Alain Gomes ( grande Prêmio do Juri)

O Outro Lado da Esperança – Aki Kaurismaki (Urso de Prata de melhor direção)

Noites Brilhantes – Thomas Airlan ( Prêmio de melhor ator)

1945 – Ferenc Török (Prêmio do público)

Ana, Meu Amor – Calen Peter Netzer (Prêmio de Edição)

Django – Étienne Comar (Abertura do Festival de Berlim)

 

  • De Locarno

9 dedos – F. J Ossang (melhor direção)

Cocote – Nelson Carlos dos Santos Areos

Irmão do Inverno – Hlynur Pálmason

Scary Mother – Ana Urushadze

Lucky – John Carroll Lynch ( um dos últimos trabalhos do ator Harry Dean Staton)

 

  • De Sundance:

Livre e Fácil – Jun Geng

 

  • De Roterdã:

Tempo de Qualidade – Daan Bakker

 

  • De Tribeca:

Mulheres Divinas – Petra Volpe

 

  • De South by Southwestern:

Inflamar – Ceylan Özgün Özçelik

 

Além dos destaques dos indicados de seus países à corrida ao Oscar 2018:

O Motorista de Taxi – Jang Hoon (Coréia do Sul)

Respiro – Narges Abyar (Irã)

Canção de Granito – Pat Collins (Irlanda)

A Sombra da Árvore – Hafsteinn Gunnar Sigurösson (Islândia)

Mil Cordas – Tusi Tamasese (Nova Zelândia)

Mãe no Gelo – Bohdan Sláma (República Tcheca)

El Inca – Ignacio Castello  Cottin (Venezuela)

 

E de 49 filmes brasileiros, dentre eles:

A Imagem da Intolerância – Joana Mariani e Paula Trabulsi

As Boas Maneiras – Juliana Rojas e Marco Dutra

Aurora 1964 – Diego di Niglio

Construindo Pontes – Heloisa Passos

Henfil – Angela Zoé

Não devore Meu Coração – Felipe Bragança

O Matador – Marcelo Galvão

Paulo Autran – Marco Abujamra

 

 

 

Posted in Mostras e Festivais | Tagged , , , , | Leave a comment

Kingsman: O Círculo Dourado

Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle) (Ação/Aventura/Comédia); Elenco: Taron Egerton, Julianne Moore, Colin Firth, Pedro Pascal, Mark Strong, Halle Berry, Channing Tatum, Jeff Bridges, Elton John; Direção: Matthew Vaughn; Reino Unido/USA, 2017. 141 Min.

Baseado no Comic Book “The Secret Service” de Mark Millar e Dave Gibbons “Kingsman” se apresenta como um produto que dá ênfase a ação de espionagem e aos apetrechos que todo imaginário popular faz da tecnologia usada pelos serviços de inteligência, vide a franquia “007”. Em “Kingsman: O Círculo Dourado” Matthew Vaughn dá cores culturais aos serviços secretos britânico e americano como mais um tempero.

Com um inimigo em comum – Poppy (Julianne Moore) uma super traficante – a agência inglesa se junta a agência americana “Statesman” para combatê-la. Depois de terem a organização desmantelada pela dissimulada vilã não restou nada além de pedir ajuda dos Statesman chefiados por Champ (Jeff Bridges) de Champagne – sua bebida favorita – um agente chamado Whiskey (Pedro Pascal) e outro chamado Tequila (Channing Tatum). A agência cavaleiros cujos nomes se remetem à Távola Redonda  – Merlin (Mark Strong), Arthur (Michael Gambon) – se juntam aos cowboys nessa aventura que tem duas horas e vinte minutos de exibição. E isso sobrecarrega o espectador pois o longa não tem roteiro para tanto. “Kingsman: O Círculo Dourado” tem muita ação e seu humor se ancora na ironia e nas insinuações, mas não tem a mesma pegada do filme anterior, não arrebata e, ainda, traz a história de Harry (Colin Firth) paralela a história principal.

Roteirizado por uma  mulher, Jane Goldman de “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”, a história tem uma pegada que facilita o entendimento da personalidade da vilã mais transparente, embora caricata, embora pareça ter sido essa a intenção. Mas, o que se destaca mesmo é o super elenco: Colin Firth, Julianne Moore, Mark Strong, Halle Berry, Channing Tatum, Jeff Bridges e a participação especial de Elton John, que roubou o filme inteiro como prisioneiro de Poppy.  A trilha sonora é boa e vai de John Denver a Prince. Os efeitos especiais cairam no lugar comum, numa era em que a captura de movimento é a vedete do momento, o crème de la crème,
mas estão ‘bem na fita’.

Enfim, “Kingsman: The Golden Circle” (no original) é mais do mesmo por mais de suas horas.Mas, para filmes do estilo e para quem curte o gênero vale o ingresso. Mas quem quiser ver como uma ‘guerrinha’ cultural a coisa passa a ter mais graça,  conteúdo e até uma certa crítica. Apresentando os ingleses com suas boas maneiras e antagonizando-os com o jeitão bruto do cowboy, e até uma ‘rinha’ gostosa entre Elton John e Frank Sinatra, um presente em pêlo e o outro presente na trilha. Mas essa sutileza não é a marca registrada do filme, ele é bem mais concreto em seus proposta do que subjetivo. Como diz o ditado popular “tudo depende dos olhos de quem vê”.

L-r, Pedro Pascal, Halle Berry, Channing Tatum, Taron Egerton, Mark Strong, Colin Firth, Jeff Bridges, Julianne Moore and Elton John, star in Twentieth Century Fox’s “Kingsman: The Golden Circle.”

 

 

Posted in crítica cinematográfica | Tagged , , , , , , , , , | Leave a comment

Divórcio

Divórcio (Romance/Comédia); Elenco: Camila Morgado, Murilo Benício, André Mattos, Angela Dippe; Direção: Pedro Amorim; Brasil, 2017. 110 Min.

Coproduzido e distribuido pela Warner “Divórcio” não é mais comédia brasileira. É um filme que versa sobre a separação conjugal com uma abordagem simples que insere graça de forma sutil. Não força a barra e funciona. Com roteiro de Paulo Cursino o longa é uma reflexão leve sobre separações, seus rituais e níveis de armistício.

Noeli (Camila Morgado) é uma filha de fazendeiro do interior de São Paulo – Ribeirão Preto – que foge do casamento arranjado para casar com Júlio (Murilo Benício). O tempo passa, o casal se estabelece economicamente, mas a relação já está corroída. Depois de um episódio sórdido decidem se separar e são envenenados por seus advogados para iniciarem uma batalha litigiosa. A graça não começa aí, ela vem desde o início com os sotaques, os tiques, os chistes de cada um, os costumes interioranos, os cacoetes,  manias e com os episódios que cada um se mete. Sem forçar a barra se ri do começo ao fim em doses homeopáticas com situações que são cotidianas, é claro existe alguma ênfase em um ou outro episódio para dar o tempero cinematográfico à coisa, mas nada que desequilibre o nível sutil do humor.

Baseado em um caso real, o longa tem atuações muito boas de Camila Morgado de “Olga” (2004) e Murilo Benício conhecido das telenovelas brasileiras que seguram o filme o tempo todo. As participações de André Mattos e Sabrina Sato e a liga que a personagem de Angela Dippe traz para a história também merecem destaque. A direção de Pedro Amorim de “Mato sem Cachorro” (2013)  e fotografia de Helcio Nagamine completam a empreitada embalados por música sertaneja como caracterizador regional e de nível cultural.

No mais, “Divórcio” é um filme light bastante divertido que cumpre seu objetivo que é entretenimento.

 

 

Posted in crítica cinematográfica | Tagged , , , , , , , | Leave a comment