Love Steaks

 

Love Steaks. (Comédia/drama/romance). Elenco: Lana Cooper, Franz Rogowski; Diretor: Jakob Lass; Alemanha, 2013. 89 Min.

Pense numa obra extremamente sexualizada sem uma cena de sexo. Jakob Lass conseguiu isso de uma forma sofisticada e ingênua, acredite se quiser. Trata-se do filme “Love Steaks” , de origem germânica e premiadíssimo nos festivais mundo a fora.

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É a história de encontros e desencontros entre dois jovens que trabalham num hotel de luxo. Ele, Clemens (Franz Rogowski) e ela, Lara (Lana Cooper) são respectivamente, aprendizes de massagista e de cozinheira, que descobrem o amor como crianças na fase fálica, através de brincadeiras e desconexões com as convenções comportamentais instituídas , se esbarrando nas horas vagas. A marca da história é a ausência do charme da sedução, dos artifícios da conquista e valoração do primitivo. Ambos têm dificuldades pessoais a serem transpostas, ele, o medo, e ela, o alcoolismo, nada pesado nem deprimente, mas bem dosado e engraçado. E ambos vão se ajudar de maneira atabalhoada, terna, por vezes, violenta, mas sempre natural, sem subterfúgios dissimulados.

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O filme já abocanhou várias premiações, dentre elas, melhor diretor no Max Ophüls Film Festival (2014); melhor direção, produção, roteiro, ator e atriz no Munich Film Festival (2013) e grande prêmio no Slamdance Film Festival (2014). Jakob Lass é diretor, escritor, ator, produtor e editor e tem no currículo muitos curtas-metragens. O primeiro longa foi “Frontalwatte” (2011), mas foi com “Love Steaks” que angariou sua primeira premiação, juntamente com Franz Rogowski e Lana Cooper, que aliás, realizou uma interpretação solta, descompromissada e transgressora de Lara, de forma brilhante.

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Poucas cenas são panorâmicas, a maioria são fechadas insinuando uma intimidade que ganha movimento de introspecção. A trilha sonora é eclética, alegre e jovem, combinando os movimento de seriedade  e drama, com os de pura graça, e quiçá, os de certa violência. Foi composta por Golo Schultz, também marinheiro de primeira viagem. A obra nos remete a “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” de Michel Gondry, nos takes, no cotidiano do casal e na naturalidade dos acontecimentos da relação, salvaguardadas as diferenças de roteiro.

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No mais, no trançar do cotidiano, onde nada acontece com planejamento e a vida é uma luta de vale tudo, a apresentação da batalha interna de resistência ao amor externalizadas nas ações de medo e controle, é argamassa da história. E é na resistência e na brincadeira que as coisas acontecem. O filme é uma representação imagética da vida e das relações humanas com uma naturalidade admirável. E, é altamente recomendável.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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