Maze runner: correr ou morrer

Maze Runner: correr ou morrer (The Maze Runner); (Ação/Mistério/Ficção científica); Elenco: Dylan O’brien,  Aml Ameen, Kaya Scodelario, Will Poulter; Diretor: Wes Ball; USA,2014. 113 Min.

Misture “Lost”, “Jogos vorazes” e “A Vila” bata bem, cozinhe em fogo brando e você terá “Maze runner: correr ou morrer”. Baseado no livro homônimo de James Dashner, é a história de um grupo de meninos com habilidades especiais, observados desde crianças e retirados da convivência em sociedade, desde o início do apocalipse. Sim, o contexto é o mundo pós-apocaliptico, tal como em “Walking Dead”. A sobrevivência, além de ser palavra de ordem, é uma questão de adestramento. Os meninos vivem confinados em um espaço cujo entorno é um grande labirinto que se movimenta todas as noites. Uma equipe de corredores tem um período do dia para mapear o labirinto e assim montarem táticas para sair dele.

correr-ou-morrer-posterEscrito por três roteirista com consultoria e suporte de James dashner, “Mazze Runner” foi criado depois de “Lost” e guarda muito do arcabouço da história e, por vezes, alguns takes chegam a lembrar as pegadas do Black smoke. Estrelado por Dylan O’brien de “Teen Wolf” premiado com os  Teen Choice e o Young Hollywood  awards. A direção fica por conta de Wes Ball  de “Toda forma de amor” (efeitos especiais) que encarou o desafio de fazer uma adaptação literária e dividi-la em partes. E sendo uma história intrincada, fazer a pausa no ponto certo é o ‘xis’ da questão.

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A história é constituída de  camadas de metáforas. O labirinto que os cercam não é somente  uma presença material, ela está presente na forma como se desencadeia os fatos. No ir e vir da narrativa, nos flashes das lembranças que iniciam um raciocínio, que de repente muda;  nas hipóteses, nas tentativas e  nas explicações fragmentadas. O labirinto é transposto para a linguagem cinematográfica: a narrativa e a imagética. O jogo de takes na corrida do labirinto – a corrida é para direita a câmera acompanha correndo para a   esquerda , se é para frente, ela vai na diagonal – provoca uma sensação de deslocamento inusitado, bem característico de quem está tonto, sem direção.

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 A trilha sonora amplia essa sensação, no estilo classicão à la Handel, composta por John Paesano,e que  é simplesmente grandiloquente. Mas é cedo para dizer se a obra é “tudo de bom” ou não, até porque ela ainda não está completa. O fato do espectador também estar perdido junto com os meninos pode ser uma belíssima estratégia e fazer parte do que se quer. Como em “Lost” que também, ficávamos todos a deriva quando perdíamos um episódio, usando assim o  nome como metáfora para além da história.  Vê-se supreendido ao final com um cicerone que não sabe o que está acontecendo, faz parte da estratégia. Agora, que é inteligente, sem sombra de dúvida. O livro está disponível nas melhores livrarias da cidade. Mas a graça é saber como o cineasta vai fazer a transposição da linguagem literária para a cinematográfica e não, simplesmente, saber o fim da história.

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No mais, querendo assistir o filme vale a recomendação: é um filme veloz, com takes Que mexem com a tatibilidade do espectador  e, cuja história dá a sensação de impotência e de se estar sendo manipulado. Resta saber se este é um aspecto positivo ou não, mas isso só a continuação pode nos responder. Agora, é esperar. Numa palavra? Intrincado.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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