Entrevista coletiva: Boa Sorte

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No último dia dez,  a diretora Carolina Jabor, juntamente, com o roteirista Pedro Furtado e a atriz Deborah Secco receberam jornalistas e blogueiros para uma entrevista coletiva de lançamento do filme “Boa Sorte”, que estreia nas próximas  semanas em circuito nacional. Uma produção brasileira de baixo orçamento que já abocanhou o prêmio de melhor filme e melhor direção de arte no festival de Paulínea esse ano. E que tem como coluna vertebral a ode à vida. Os assuntos abordados foram desde o tema principal do filme, passando pelo seu pano de fundo, uma clínica de reabilitação para dependentes químicos, as pesquisas realizadas pela produção com profissionais experientes na área, o laboratório feito pela atriz Deborah Secco, as influências que a cineasta Carolina Jabor usou para realizar a obra, a experiência de Pedro Furtado como roteirista, o processo de escolha da trilha sonora, o emagrecimento e a  nudez de Deborah.

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Sobre o tema principal do filme Carolina Jabor disse o objetivo foi falar sobre a vida, embora o pano de fundo seja uma clínica de reabilitação para dependentes químicos e a personagem principal, Judite ( Deborah Secco) seja uma paciente terminal portadora do virus HIV. A linha do roteiro era para a energia solar e vibrante de Judite e o foco era para os momentos mais simples da vida, a valorização do afeto e do amor. Disse ainda que a linguagem dialoga com os jovens, não só pelos personagens, como pela animação e as escolhas da músicas. O esteio teórico eles foram buscar através de pesquisas com profissionais experientes (psiquiatras e psicanalistas) e visitando clínicas. Porém, o foco foi no elenco e na história. A clínica foi só pano de fundo e foi muito bem representada através da atuação da personagem Drª Lorena (Cassia Kis Magro)

Sobre as influências estéticas do  filme, segundo Carolina, apesar de ter o cinema francês nas veias, a influência veio dos filmes independentes americanos. Ela queria que  fosse simples com cara de inteligente e com pouca grana. A seleção de planos foi uma parceria com a fotógrafa uruguaia Barbara Alvarez que usou como critério principal a relevância do plano para contar a história, mais do que beleza somente.

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Em relação ao laboratório feito pela atriz Deborah Secco para a construção da personagem e a sua estreia como produtora associada ela (Deborah ) disse ter passado oito dias visitando pacientes terminais com câncer e ouvindo suas histórias para compor Judite, uma mulher de trinta anos soropositiva. E disse que a princípio se assustou com a resignação dos pacientes, a calma, o entendimento e a aceitação. Pra completar o laboratório e o entendimento sobre a questão a atriz recebeu orientações de Yoga. E sobre o emagrecimento, foram num total de onze quilos, chegando a pesar quarenta e quatro quilos. E disse ainda que depois que leu o conto que deu origem ao roteiro (“Frontal com Fanta” de Jorge Furtado) seu objetivo foi de total disponibilidade para a personagem, com disposição para desconstruir tudo o que havia feito antes.

Sobre sua produção associada Deborah disse que havia participado tão efetivamente da produção para além do trabalho como atriz que lhe coube o crédito. E achou importante mostrar mais do que atuação, de mostrar personalidade como profissional de cinema e que gostou da experiência e, possivelmente, tornara a repeti-la.

Em relação à nudez de Judite Déborah disse foi uma nudez diferente da personagem “Bruna Surfistinha”. A nudez de Bruna era para agredir, a nudez de Judite é natural. (…) “Ela já estava tão fora do corpo. O corpo físico era menos que uma roupa e ela era tão maior que aquele corpo era o que ela tinha de menos interessante” E que judite tinha uma beleza poética, não-óbvia. A relação com a nudez não era a de sensualização,embora ela estivesse iniciando sexualmente um rapaz, era uma nudez natural. E acrescenta: “Ela foi a mulher mais apaixonante que eu já fiz na minha pior forma física”.

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Sobre o roteiro, Pedro Furtado, que também é ator e filho de Jorge Furtado, autor do conto “Frontal com Fanta” que deu origem a história, falou de sua experiência como roteirista com “Um pé de quê” do canal futura e “Mulher de fases” da HBO e que ser ator facilita fazer um roteiro pela noção que se tem das possibilidades de se atuar numa fala. E que  a adaptação do conto para o filme superou as expectativas suas e de seu pai.

Para finalizar, o Cinema e Movimento (CM)perguntou sobre a trilha sonora:

CM: Como foi o processo de escolha da trilha sonora? As músicas do Jorge Mautner foram compostas para o filme?

Carolina: Eu trabalhei com o Lucas Marcier e o Fabiano Krieger e na edição fomos inserindo o que a gente queria, eu e Sergio Mekler. Grande parte da trilha foi composta pelo Lucas e tentamos fazer uma trilha o mais silenciosa possível, só em alguns momentos ela realmente cresce. E ela tem um comportamento fundamental para contar aquela história, dramaturgicamente. Junto disso, havia o desejo de que fosse um filme mais jovem, mais divertida. Então, inserimos a Pitty, que é uma canção dançante. Nos ensaios e nas filmagens já havia a presença da música da  Pitty e quando editamos já fizemos com ela. O Jorge Mautner entrou quando eu estava estudando a personagem do João e percebi que a sua invisibilidade podia fazer uma ponte com a invisibilidade de um vampiro e aí entrou a música “Vampiro” do Jorge. A Pitty entrou como um gosto musical, a necessidade de ter uma coisa mais Rock and Roll e o Jorge Mautner pela questão do vampiro.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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