Para Sempre Alice

Para Sempre Alice ( Still Alice).  (Drama); Elenco: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart; Diretores: Richard Glatzer e Wash Westmoreland; USA/França, 2014. 101 Min.

O filme que deu o Oscar de melhor atriz a Julianne Moore é baseado no livro homônimo escrito pela neurocientista Lisa Genova. E apresenta o mal de Alzheimer pela perspectiva do portador da doença. Um desafio e tanto para os diretores Richard Glatzer e Wash Westmoreland. Para tanto contaram com o talento de Julianne Moore e com as metáforas fotográficas de Denis Lenoir.

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O filme é sobre a jornada da descoberta do mal de Alzheimer e seu processo degenerativo vivido pela professora Alice Howland, ou seja, a jornada do esquecimento de si, partindo da premissa do raciocínio expressivo e do autoconhecimento que se apaga. E mostra um ser humano no desespero de perder-se de si, no afã de agarrar-se às pequenas coisas que o fazem ser o que é…e reconhecer que “era”. O pilar que sustenta toda a narrativa é a dignidade. Há dignidade no processo degenerativo, mesmo nas cenas mais inconvenientes, no trato dos familiares entre si, dos que se prontificam a estar perto, entender e ajudar aos que se distanciam. Há dignidade no processo de aceitação da doença por parte de Alice e dos demais até o final.

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Outra obra cinematográfica que abordou o Alzheimer no cinema foi ‘Iris” com Judi Dench, de Richard Eyre e cuja analogia é imprescindível para entendermos o preciosismo de “Para Sempre Alice”. Enquanto “Iris” mostra o Alzheimer visto de fora, com as metáforas das janelas de vidro – que à medida que o processo de degeneração avança as janelas vão ficando mais opacas e deformadoras; Do olhar para trás – mostrando as lembranças consolidadas do passado; E a  da pedra – o ser que possivelmente, um dia teve vida. Em “Para sempre Alice”  o Alzheimer é visto pela perspectiva de quem o vive, com a metáfora do focar e desfocar da fotografia, dando um subentendimento dos momentos em que Alice está, e aqueles em que ela não está presente. O discurso na Associação para o Alzheimer é  uma bravíssima e poética dissertação. Para relatar, definir, conceber e trazer para o espectador o verdadeiro foco da doença e seus danos, ambos trazem mulheres – que são as vítimas mais frequentes – intelectuais e que vivem do pensamento e da linguagem. Iris (Judi Dench) era filósofa (este é um caso real) e Alice  é uma professora de linguística.

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Os diretores Ricard Glatzer e Wash Westmoreland têm como trabalho conhecido do grande público a produção da série de TV “American’s Next Top Model” e como último trabalho no cinema, antes de “Para Sempre Alice”, “The Last of Robin Hood” (2013), uma cinebiografia do ator Errol Flynn que foi apresentação especial no Festival de Toronto 2013 e ainda não apontou em terras brasileñas. No elenco, além do destaque para a oscarizada Julianne  que se inicia fulgurante e vai se apagando e morrendo com/no olhar  a cada take, sem perder a presença e a força, há também Kristen Stewart, a eterna Bella de “O crepúsculo”, e hoje, primeira americana a ganhar o prêmio maior do cinema francês – o César – por seu papel como coadjuvante no filme “Acima das nuvens”, entrando, definitivamente, para a história das premiações do cinema mundial. A trilha sonora é de Ilan Eshkeri de “Walking Dead” e sua virtude é ser imperceptível. Quanto a fotografia é um instrumento que conversa com público e é quase personagem do roteiro.

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Para fechar, “Para Sempre Alice” tem como primor uma direção sensível e cuidadosa que orientou cirurgicamente uma atriz bastante competente,  e que conseguiu tornar o filme um instrumento de chamada de atenção para o grande público sobre a doença de Alzheimer, como um processo de perda e esquecimentos, com muita leveza, subjetividade e dignidade.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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