Divertida Mente

Divertida Mente (Inside Out). (Animação/Comédia/Drama/Família); Elenco: Emy Poehler/Miá Mello; Phyllis Smith/Katiuscia Canoro; Bill  Hader/Otaviano Costa; Lewis Black/Leo Jaime; Mindy Kaling/Dani Calabresa; Direção: Peter Docter e Ronnie Del Carmen; USA, 2015. 94 Min.

Esqueça o caminho explicativo sobre a nossa fisiologia emocional que envolva termos como: neurônios, dendritos, sinapses, neurotransmissores e afins.  “Divertida Mente” fala do assunto com uma linguagem gostosa, cotidiana, usando metáforas lúdicas espetaculares e com muita graça, de tal forma que satisfaz as crianças com suas cores intensas e tiradas hilárias, e aos adultos com analogias pertinentes.

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A animação em 3D produzida pela Pixar e distribuída pela Disney é dublada – o que indica como público alvo os menorezinhos – e conta a história de Riley (Kaitlyn Dias) que tem que se mudar de Minnesota para San Francisco e frequentar nova escola, fazer novos amigos e tal.  A saga do processo de amadurecimento  é o intervalo de tempo entre a segunda infância e a puberdade. A personalidade é designada por ilhas: a da família, a da amizade, a da honestidade, a do esporte favorito e a da bobeira. E quem trabalha no cuidado delas são as emoções: a Alegria (Miá Melo), a Tristeza (Katiuscia Canoro), o Medo (Otaviano Costa), a Raiva (Léo Jaime)  e o Nojinho ou repulsa (Dani Calabresa). E essa aventura nos leva a um passeio pela fisiologia emocional: a criação de memórias, o abismo do esquecimento, o trem do pensamento, a terra da imaginação, a fábrica de sonhos, a sala da abstração e ao mais recôndito  de todos os lugares dentro de nós – a sala do inconsciente. A animação é estupenda em trazer para o concreto aspectos abstratos num ludismo que merece aplausos.

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A idéia brilhante é de Pete Docter, oscarizado pela animação “UP: Altas Aventuras (2009) que dirigiu a obra juntamente com Ronnie Del Carmen de “Universidade Monstros” (2013). O roteiro é bem alinhavado e tem como pulo do gato o didatismo sem posar no território da chatice, e o bom uso de metáforas. A  obra foi realizada a oito mãos com Meg LaFauve e Josh Cooley, além dos dois diretores.

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Exibido no Festival de Cannes 2015, “Divertida Mente” é um longa feito para crianças e para adultos. Os signos escolhidos para personificar as emoções, as cores intensas e as aventuras prendem as crianças. As emoções, seus processos e a constituição de nossa personalidade prendem a atenção dos adultos, que têm a possibilidade de perceber a importância de cada emoção, que a sala de controle não pode ficar  vazia mas que ninguém controla nada, isso sem falar nos momentos de poesia em que somente os adultos entenderão sua profundidade, como o porquê do  esquecimento do amigo imaginário, a necessidade da tristeza e o remexer da Alegria nas memórias do vale do esquecimento. É um filme com duas camadas distintas e que se encaixam muito bem.

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Sob a égide da frase no final dos créditos… “Dedicado às nossas crianças. Por favor, não cresçam”, “Divertida Mente” é um desfile de criatividade, inteligência, graça e poesia.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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