Entrevista Coletiva: “Meu Passado Me Condena 2”

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Na tarde nublada do dia 25/06, no salão de convenções do Hotel Marina Palace, no Leblon a equipe do filme “Meu Passado me Condena 2” recebeu jornalistas, blogueiros e críticos cinematográficos para uma entrevista coletiva. A produtora Mariza Leão, a diretora Julia Rezende e os atores Fábio Porchat, Miá Mello, Rafael Queiroga e Mafalda Rodiles falaram do processo de produção do filme, do arcabouço da história e,  é claro, sobre cinema nacional.

Sobre o projeto “Meu Passado me Condena 2” Mariza leão disse ter sido um desafio fazer a sequência, pois o objetivo era manter a identidade dos personagens criando uma situação nova. O fizeram, por perceber que o projeto tinha força para isso. Vindo de uma série que havia rendido o primeiro filme, que virou uma pela de teatro, e em seguida, um livro, logo, tinha fôlego para ser explorado. A diretora Julia Rezende acrescentou que foram 3   anos de projeto falando de relacionamento, com atores que têm uma boa química e com uma oportunidade de fazer uma integração com os atores portugueses. Tudo isso permitiu a “Meu Passado me Condena  2” agenciar agregamentos e a não se repetir.

Dentre todas as falas sobre cada um dos personagens observou-se que o filme se apóia no talento pessoal de Fábio Porchat, e perguntado sobre até que ponto era roteiro, até que ponto era improviso, Fábio respondeu que a equipe de atores foi pensada desde a escrita do roteiro e que houve interação entre a atuação e o roteiro, mas que houve improvisação. Sobre as personagens da Susana (Inez Viana) e do Wilson (Marcelo Valle) e o cabeça (Rafael Queiroga), são tidos como móveis e utensílios do projeto e que fazem o contraponto perfeito à relação de Fábio e Miá. Suzana e Wilson é um ex-casal que não consegue se separar, o cabeça um amigo sem noção e o outro casal,  Álvaro (Ricardo Pereira) e Ritinha (Mafalda Rodiles), que são o casal ideal, mas que não são felizes. Que é o que permeia o filme todo, o amor perfeito que não é tão perfeito assim.

Quando perguntados sobre o cinema português, Mafalda Rodiles, que é portuguesa, disse que em Portugal se faz de 6 a 7 filmes por ano, que a intensidade e a qualidade da produção é diferente da brasileira e existem poucos incentivos para a produção cinematográfica naquele país. Marisa Leão acrescentou que em Portugal há cerca de 250 a 300 salas de cinema, mas que as equipes de produção portuguesa tem uma qualidade técnica admirável e que sobrevivem fazendo excelentes trabalhos para as produções europeias, e que o cinema português tem tradição em premiações de festivais e tem outros expoentes além de Manoel de Oliveira (falecido a pouco).

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Sobre o cinema Nacional, assunto que não pode faltar na pauta das entrevistas com equipes de filmes nacionais, quando perguntados como avaliam o momento do cinema nacional e como se sentem disputando espaço com o blockbuster americano com o Arnold Schwarzenegger, Fábio Porchat responde; “(…) o cinema nacional renasceu, ganhou um impulso, Mas acho que ainda existe um preconceito muito grande do público quando o filme é nacional, mas as comédias estão quebrando isso. Os roteiristas estão cada vez melhores. A grande questão é o roteiro, alguém disse que ‘você pode fazer um filme ruim com um roteiro bom, mas não pode fazer bom com um roteiro ruim’. É muito difícil você competir com os americanos porque eles são uma indústria, eles não precisam da lei Rouanet, eles tem alguém para dar US$160.000.000 e diz faz um filme aí. E os filmes que chegam aqui são só os bons, tem muito filme americano ruim que não chega aqui nem em DVD. É difícil você competir com o crème de la crème dos caras. Mas tem um monte de filme nacional ótimo que as pessoas não vão ver. Quando falam A’h!  só dá comédia’ eu não  sei se concordo com isso, porque tem uma série de comédias que foram muito mal. Então, não é a comédia, são algumas pessoas que levam as pessoas para o cinema, o Leandro Hassum, a Ingrid Guimarães, o Paulo Gustavo”. Julia Rezende acrescenta: “Acho que até a crítica tem alguma resistência em relação a comédia. O drama é uma palheta de cores, a  comédia é a comédia, está no saco da comédia, é uma coisa só. Acho que a gente também tem que enxergar que dentro do gênero comédia existe uma diversidade enorme, “Meu Passado me Condena”  é diferente de “Até que a Sorte nos Separe” que é muito diferente de “Mato sem Cachorro”. Cada filme tem uma pegada, um elenco, um diretor, um tipo de roteiro, uma proposta. Eu acho que a gente tem que parar com essa coisa de querer jogar  a comédia num saco vazio, sem fundo, daquilo que é uma coisa só. Fábio encerra: “Essa coisa do preconceito com a comédia é visível. Eu li uma crítica de uma comédia americana que dizia: ‘o filme não tem nada demais só faz rir’ se fosse aqui no Brasil seria: o filme é péssimo, só faz rir e mais nada. Como se fazer rir fosse fácil. quero ver um ator que não seja de comédia fazer o que o Leandro Hassum faz, durante uma hora e meia”.

E pegando o gancho da comédia x drama o Cinema e Movimento (CM) fez algumas perguntas:

CM: (para Fábio Porchat) Sobre esses dois lugares, o drama e a comédia. Você acaba de fazer “Entre Abelhas” que é um drama no qual além de atuar você também roteirizou, como foi a experiência? pretende continuar fazendo drama, em qual dos dois lugares você se sente mais à vontade?

Fábio Porchat: “Isso é engraçado também, e soa como uma espécie de preconceito. Se eu fiz drama, então agora eu optei pelo drama? Eu sou ator formado, posso fazer um filme de zumbi amanhã e isso não que dizer que tenha optado pelo terror. Eu só resolvi contar essa história e foi uma boa história contada e que estava há 10 anos querendo contar a história do “Entre Abelhas” por acaso saiu o ano passado, podia ter saído antes de eu começar  a fazer comédia. Então foi uma casualidade. Mas, é claro, que eu me sinto muito mais a vontade na comédia, porque eu gosto muito de fazer rir e gosto muito de rir. É um lugar de maior segurança que eu venho fazendo a mais tempo. Mas não tem aquela coisa de provar nada para ninguém eu quero fazer o que é legal pra mim”.

CM: (Para Julia Rezende) Por que os nomes dos personagens são os nomes dos atores?

Julia Rezende: “Isso foi uma demanda do Multishow. Como o projeto começou como série no Multishow e isso é um costume do canal a gente manteve.

Fábio Porchat: “Isso também traz proximidade com o público, parece que é a gente ali”

CM: (para Rafael Queiroga) Sobre  a relação com o cabeça, o amigo sem noção, rola um subtexto?

Rafael Queiroga “Não de jeito nenhum o cabeça é amigo de infância, a forma de amor é a da amizade, ele é meio doido, mas é isso mesmo”

CM: Quais são os projetos futuros de vocês?

Mafalda: Curtir esse momento do lançamento do filme “Meu Passado me Condena 2” e a filhinha pequena.

Miá Mello: “Estou filmado um longa com o Marcus Ligocki chamado “depois de Você” que deve estrear no começo de 2016 e estou em cartaz com a animação “Divertida Mente” dublando a personagem alegria”

Julia Rezende: “Vou dirigir, produzido pela Paris filmes, em São Paulo, uma comédia romântica chamada “Um Namorado para minha Mulher” que é uma adaptação de um filme argentino com a Ingrid Guimarães. Ano que vem tem uma série para televisão escrita pelo  Jô Bilac e Hugo Liberano, é uma série  mais dramática”

Rafael Queiroga: “vou dirigir a peça de teatro chamada “Use-me” de Eduardo Esterblitch, entreguei um roteiro de cinema agora, e vou lançar umas faixas de rap daqui a algum tempo”

Fábio Porchat: “Vou continuar fazendo um programa de viagem na internet chamado “Porta Afora” com a Rosana Herman, o filme do “Porta dos Fundos” roteirizando junto com Gabriel Steves, estou gravando “O Grande Gonzales”, a série original dos “Porta dos Fundos” para aFox, que estreia no final do ano. E em Janeiro estreia no Shopping da Gávea no teatro das Artes  peça “Meu Passado me Condena”.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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