A Rainha Diaba

A Rainha Diaba (Drama); Elenco: Milton Gonçalves, Nelson Xavier, Stepan Nercessian, Odete Lara; Diretor: Antônio Carlos Fontoura; Brasil, 1974. 35 mm, 100Min. #Mostradecinemadeouropreto(CINEOP)2015.

Filme de abertura da 10ª Mostra de cinema de Ouro Preto e pertencente ao eixo preservação de memória, “Rainha Diaba” de Antônio Carlos Fontoura, tem como ator principal Milton Gonçalves  e conta uma história do cotidiano do submundo do crime,  e como senão bastasse tremenda transgressão nos anos de chumbo, 1974, ainda aborda transversalmente a homossexualidade.

19872801

A história não poderia ser mais ousada. A rainha diaba (Milton Gonçalves) é um gay, negro e pobre que comanda o narcotráfico de uma certa região e paralelamente a prostituição local. Quando se vê  na iminência de ter um de seus homens – o preferido –  preso pela polícia,  mancomuna uma armação que levaria Bereco (Stepan Nercessian)  a ser o bode expiatório. Revoltados com seu autoritarismo, os membros da quadrilha aceitam o comando em paralelo de Catitu (Nelson Xavier), que vê nisso uma oportunidade de ascender ao poder e tirar Rainha Diaba da jogada. O longa, nos aspectos do machismo na relação homem/mulher, lembra “Navalha na Carne” (1974) de Neville de Almeida e em relação à sanha pelo poder dentro de quadrilhas “Estômago” (2007) de Marcos Jorge.

19897251_jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx

“Rainha Diaba” se constitui um marco de preservação do cinema nacional não somente pela temática – submundo, tráfico de drogas e prostituição – mas pelo momento político vivido pelo Brasil – a ditadura militar.  Também pela posição de um negro como protagonista no cinema, o que não era comum. Além da inserção da homossexualidade, que não era tão discutida, e a personagem, nesse contexto de abordagem, exercer uma posição de mando num território eminentemente masculino, machista e violento.  O longa foi ovacionado com os prêmios de melhor ator para Milton Gonçalves, Melhor fotografia para José Medeiros no Festival de Brasília de 1975 e  melhor figurino para Ângelo Aquino pela Associação de Críticos de arte de São Paulo. O responsável pela história foi o roteirista Plínio Marcos de “Beto Rockfeller” (1968) e “Navalha na Carne” (1974)

19897255_jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx

Como grande homenageado da Mostra de Cinema de Ouro Preto Milton Gonçalves tem no currículo, além de melhor ator por “A Rainha Diaba”, melhor ator coadjuvante por “Carandiru” (2003) no Festival de Cartagena, 2 Kikitos de ouro do Festival de Gramado por “Filhos do Vento” (2004) e “Barra Pesada” (1997), além do troféu Oscarito que recebeu em 2003.

odete15

“Rainha Diaba” é uma produção nacional ousada e atual, portanto pertence à memória do cinema nacional e está disponível na íntegra em plataformas online, digitais e multimídias, incluindo edições de colecionares. Vale a pena passear pelas produções nacionais de outrora e verificar o quanto os temas são desafiadores e visionários, e atestar também o quanto melhoramos em qualidade técnica de uns anos para cá. Viva o cinema nacional!

  • Filme de Abertura da Mostra de Cinema de Cinema de Ouro Preto 2015.

Advertisements

About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
This entry was posted in Resenha cinematográfica and tagged , , , , , , , , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s