Samba

Samba (Comédia/Drama); Elenco: Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim, Izïa Higelin; Direção: Olivier Nakache, Eric Toledano; França, 2014. 118 Min.

As produções francesas do último ano têm se dedicado a temas áridos e a reflexões sobre as próprias mazelas. Foi assim com “Dois dias, uma noite”  (2014) dos irmãos Dardenne, que versa sobre desemprego e “Que mal fiz a Deus?” (2014) de Phillippe de Chauveron, que disserta sobre as discriminações racionais e religiosas. Em “Samba” de Olivier Nakache e Eric Toledano é a vez de falar sobre o problemas da imigração na França. Adaptado do livro homônimo de Delphine Coulin e com colaboração de Muriel Coulin o longa versa sobre  problemas sociais sem perder a leveza.

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O enredo é sobre a vida e os sonhos de Samba Cissé (Omar Sy), um senegalês que sonha em ser Chef de cozinha, e com isso ajudar sua família que ficou em sua terra natal. Mas  sua condição de imigrante ilegal e morador de favor na casa de seu tio Lamouna (Youngar Fall) não ajuda muito. Depois de preso começa a empreitada em busca da legalidade com a ajuda da advogada e executiva Alice (Charlotte Gainsbourg) que faz um trabalho voluntário de assistência social, pois está de licença médica por ter surtado em ambiente de trabalho. Por conta disso, Alice toma remédios para dormir e para acordar. O encontro dos dois faz a história acontecer em meio a questões sociais  e enche a película de reflexões sobre o que importa, de fato, na vida. Considera que ninguém vive sozinho, não no sentido piegas de romance barato, mas no sentido de criação e recriação da própria identidade como indivíduo através do outro.

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“Samba” foi indicado ao César e ao Lumière Awards 2015 e, é roteirizado  e dirigido pela mesma dupla que criou o blockbuster francês “Intocáveis” (2011), pelo qual Omar Sy ecebeu o César de melhor ator – a maior comenda do cinema francês.  Tem ainda, Charlotte Gainsbourg, a  queridinha de Lars Von Trier, premiada com melhor atriz no Festival de Cannes 2009 por “Anticristo”. Além do roteiro fluido, divertido e inteligente,  o longa tem na trilha sonora duas músicas brasileiras: “Palco” de Gilberto Gil e “Take it Easy my Brother Charles” de Jorge Benjor. A trilha original é assinada pelo italiano Ludovico Einaudi.

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O longa metragem que leva o nome de um ritmo brasileiro é uma mistura de cores, raça, culturas, nacionalidades e questões paradoxais, não só pela própria história mas, também, pelos atravessamentos culturais. A coluna vertebral é a luta pela sobrevivência e a selvageria do capitalismo na manutenção de seu exército reserva, tudo isso recheado pelos conflitos e encantos, numa luta paralela para não deixar a vida perder sua graça. Belíssimo!

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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