Pixels

Pixels (Ação/Comédia/Ficção Científica); Elenco: Adam Sandler, Kevin James, Michelle Monaghan, Peter Dinklage, Josh Gad; Direção: Chris Columbus; USA, 2015. 105 Min.

Em comemoração aos 35 anos do personagem de vídeo-games Pac-Man, o popular come-come (aqui no Brasil), a Sony Pictures transformou a tela do cinema num fliperama em 3D, misturando as duas linguagens, e  com todos os personagens dos jogos da década de 80: além do aniversariante, a centopeia, o Frogger, o Kong (do Donkey Kong), os Smurfs e até o Q*bert. A ideia surgiu em 2010 com o curta de animação de mesmo nome de Patrick Jean que ganhou o prêmio do Festival de Cinema de Animação de Annecy em 2011.

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A ideia é original, embora caia nos clichês de ficção científica, mas talvez esse fosse o objetivo, já que é uma sessão nostalgia da década de 80 em todos os sentidos. A história consiste no seguinte, a  NASA enviou ao espaço uma capsula do tempo com exemplos de nossas atividades culturais cotidianas, e dentre essas atividades, estavam os jogos da arcade (fliperama). Os extraterrestres encontraram a capsula e entenderam a mensagem como uma ameaça. Então, resolveram retaliar na mesma moeda, trazendo à Terra todos os personagens em tamanho real.

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O formato não poderia ser mais inusitado, transformar a tela de cinema na tela de um grande fliperama, com os jogos daquela época, e os habitantes do planeta em jogadores. “Pixels” ainda homenageia diversos nichos culturais da década de 80,  como o cinema – com trechos de filmes que eram os ícones populares do momento – e a música, com trechos e músicas inteiras, além de depoimentos editados/contextualizados de Madonna e dois componentes do Hall & Oats. Para matar as saudades tem de tudo: “Iha da Fantasia” (1977-1984) com Ricardo Montalban (Mr. Roarke) e Hervé Villechaize (Tatoo); referências a “Nascido para Matar” (1987); citação ao General Zod, (Superman); “Ghostbusters” (1984), “Star Wars”, “Contatos Imediatos do Terceito Grau” (1977) e “Mulher Nota 1000” (1985). E ainda imita  o universo Marvel quando insere o prof. Toru Iwatani, o criador do Pac-Man, como Stan Lee é inserido nos filmes de personagens de sua criação.

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Dirigido por Chris Columbus, produtor de “Histórias Cruzadas” pelo qual foi indicado ao Oscar e diretor de duas partes de Harry Potter – “A pedra Filosofal” e “A Camera Secreta”- e roteirizado por Tim Herlihy de “Saturday Night Live” (1975) e Timothy Dowling de “Guerra é Guerra” (2012) , “Pixels” é uma viagem nostálgica à década de 80 mais afeita aos quarentões de plantão do que à garotada que não vai entender muita coisa em termos de contextualização, curtindo apenas os efeitos especiais.  A trilha sonora é outra viagem no tempo, com 21 musicas da década em questão, incluindo trechos de “We Will Rock You (1977) e  “Everybody Wants to Rule the World” do Tears for Fears numa interpretação hilária de Josh Gad, e  foi assinada por Henry Jackman de “Kingsman Serviço Secreto” (2014). Outro aspecto importante foi o designer de produção dirigido por Peter Wenham de “Capitão América 2: Soldado Invernal” (2014) que fez toda a diferença e conferiu ao filme sua característica maior, a mistura das duas linguagens.(game+cinema).

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O longa de Chris Columbus tem tudo isso e muito mais, uma leve crítica aos jogos atuais, tão mais reais e, portanto, mais violentos, numa cena discreta de Adam Sandler (Brenner) com Matt Lintz (Matty) jogando Mortal Kombat. Pixels é uma overdose cavalar da década de 80, no qual finamente, os Nerds governam o mundo. É um Blockbuster besteirol para descansar o cérebro e se rir bastante. Afinal de contas, ninguém merece filosofar o tempo todo não é não?! Divertido e nostálgico, é uma excelente homenagem ao aniversariante balzaquiano Pac-Man e seu criador.

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Conheça o curta-metragem que deu origem ao filme: (Aqui!)

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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