Entrevista Coletiva com Mark Osborne e Marcos Caruso

Mark Osborne (diretor da animação) Marcos Caruso (dublador da personagem; O aviador)

Mark Osborne (diretor da animação) Marcos Caruso (dublador da personagem; O aviador)

Na manhã (13/07) seguinte à noite da segunda premiére mundial da animação “O Pequeno Príncipe”, o diretor Mark Osborne e o dublador do personagem aviador, o ator Marcos Caruso, deram uma entrevista coletiva e falaram acerca das personagens do longa e sua adaptação em relação ao livro, sobre as técnicas utilizadas para criar a animação (stopmotion + CGI)’ sobre a trilha sonora, a dublagem é a importância da obra se Saint-Exupery para todos nós.

sobre a inspiração para a criação dos personagens infantis, mark disse que inspirou-se em seus filhos para compô-los. Que sempre observou o comportamento humano é que seria difícil criar uma “pequena garota” única e especial sem fazê-lo. E que foi um processo intenso, pois as suas referências eram crianças reais. E que na animação, é bom ressaltar, disse ele,  cada detalhe é importante, é construído milimetricamente. Mark  falou ainda, sobre a inversão em relação ao livro. No livro o aviador é um homem de meia idade, alquebrado e um pequeno garoto inocente precisando de ajuda. No filme, o personagem do velho é inocente e vem ajudar, a “pequena garota” é que é alquebrada. É assim ele conta a mesma história de forma diferente.

sobre as referências confessa que há fragmentos/inspiração de Hayo Miyazaki a “Jardim Secreto” do francês Rodgson Burnett, e ainda, as suas memórias afetivas da leitura de “O Pequeno Príncipe”.

Em relação às duas técnicos utilizadas na animação – o stopmotion e o CGI – ele diz que tentou enfatizar as diferenças. O stopmotion foi uma das grandes ideias do filme, pois o pequeno príncipe de papel fica mais aurático, sensitivo, lento para criar o clima do livro. “Jimmy Clearly fez os efeitos de stopmotion e ele, realmente teve a visão da diferença entre os dois mundos, criar as sequência em papel foi importante porque conectou o filme ao livro original, aos desenhos originais, as ilustrações originais e às páginas originais (manuscritos)  de Saint- Exupery.”

sobre o som e trilha sonora Mark Osborne disse que quis Hans Zimmer porque ele sempre procura por sons novos e os encontra. É como essa é uma aninmação atípica, Hans não queria sons de outras animações e queria encontrar o caminho de um som que fosse único. Chamou Camille Dalmais – cantora francesa- que trouxe sua voz para atuar como instrumento. Hans ficou extremamente feliz com o resultado.

Em relação a expectativa sobre a receptividade do público a uma adaptação de uma história icônica, ele disse que durante o processo ficou preocupado, acordava no meio da noite suando e que todos os que trabalharam no filme ficaram preocupados de não conseguir proteger o livro o suficiente. Mas que encarou isso como uma missão, e para ele o mais importante era que a equipe gostasse do livro e o tivesse como seu favorito. Todo mundo que se envolveu correu riscos, disse ele,  tentamos conectar a audiência ao espírito do livro. Sobre a reação do público na première da noite anterior, em que fora aplaudido de pé por vários minutos, ele disse que “foi muito boa, foi uma reação maravilhosa, ontem à noite eu fiquei aliviado, e quero que as pessoas que apreciam o livro encontrem no filme o que encontraram no livro e quem não conhece o livro que venha a descobri-lo.”

Marcos Caruso, ator brasileiro de novelas e filmes, dublou a personagem do aviador  e respondeu a algumas perguntas sobre a abordagem do crescimento rápido das crianças, posto no filme, sobre sua sensação de ver “O Pequeno Príncipe” ganhar vida, e sobre como foi reler o livro 50 anos depois da primeira vez,  dublar o aviador, e ainda, sobre o uso das técnicas de animação.

Marcos disse que quando  recebeu o convite para a viagem estava de viagem marcada e foi lendo o livro  no percurso e, à medida que lia, se emocionava, mas que a pegada do livro 50 anos depois, foi outra. hoje ele tem netos e sua ssimilação das questões foi bastante diferente em relação à primeira vez que leu.

Quanto a bordagem sobre o crescimento das crianças ele se disse surpreendido e emocionado com a forma de trazer o cotidiano das crianças de hoje e mostrar isso.

Em relação ao CGI e ao stopmotion, Marcos Caruso acrescenta que fez a diferença e ajudou a não dissociar do livro, e diz: “não parece que o pequeno príncipe saiu do livro, parece que eu entrei no livro.”

Sobre a dublagem disse que foi difícil é que não tem experiência na área e que não seguiu regras, foi com o coração e  deu certo.

Sobre o que sentiu com longa, disse:

Todos nós somos absorvidos pela máquina. ele (o príncipe) cresce, se torna humano e tem problemas como todo mundo. E o grande diferencial do trabalho do Mark é esse. Mas, tem a possibilidade de volta. Acho que temos que descobrir onde está a nossa criança.  Quando a gente perceber que está perdido tem que voltar para o começo. onde é o começo? De onde eu venho? Qual a minha raiz? Onde está a minha raiz? É essa a lição do filme. Parecem três filmes . Ele consegue fazer “O Pequeno Príncipe” do terceiro milênio.”

E Mark Osborne fecha a entrevista com a seguinte fala:

Acho importante destacar o poderoso aspecto do livro. Eu encontro amigos que amam o livro e sempre encontram algo novo que não haviam visto antes. (…) acho muito difícil criar um tributo ao livro e tento encontrar um caminho para mostrar o quanto o livro cria múltiplos passos. Se você ler em diferentes momentos de sua vida você vai ver coisas diferentes. Isso é maravilhoso pra mim.”

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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