A Travessia

A travessia (The Walk). (Aventura/Biografia/Drama); Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Charlotte Le Bon. Guilhaume Baillarglon, Ben Kingsley; Direção: Robert Zemeckis; USA, 2015. 123 Min. #FestivalDoRio2015

James Marsh fez o documentário – “O Equilibrista” (2008) – Robert Zemeckis a ficção. Em ambos os casos as personagens principais são as duas torres gêmeas do World Trade Center, alvejadas num ato terrorista em 2001.

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Em 1974 um equilibrista fascinado por alturas homéricas e que ganhava a vida como artista de rua em Paris, decide ir para New York andar sobre um arame no vazio entre as duas torres gêmeas do World Trade Center. O insane cidadão é Philippe Petit (Joseph Gordon- Levitt). “A travessia” conta a história de Petit desde a infância com seu primeiro fascínio pela corda-bamba num circo, até o feito considerado “o crime artístico do século”. O atrativo do longa é a narrativa, feita pelo próprio Petit do alto da chama da estátua da liberdade (CGI, é claro) numa metáfora transgressora de liberdade, na terra da liberdade e sob o seu símbolo, e conta dos medos, superstições, presságios, delírios, confissões, com uma certa  poesia. A história é boa e sua forma de conta-la dá vida e produz tensão, que é a marca do produto.

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O roteiro foi escrito pelo Zemeckis em parceria com Christopher Browne – em seu primeira experiência em longa-metragem – e baseado no livro de Philippe Petit “To Reach the Clouds” e traz uma história real, ficcionada com muita hilariedade, que poderia também ter um pezinho no nicho da comédia, partindo do princípio que um jovem de 25 anos gastou 45 minutos de sua vida andando de uma lado para o outro, se ajoelhando, deitando e quase dançando a mais de 400 metros de altura, contando com a sorte, pois, se o tempo virasse aí o filme seria de terror, por que de suspense já o é sem admitir. A tecnologia 3D deu mais potência à coisa, em IMAX, então, o impacto é maior pela sua grandiosidade, principalmente para os fóbicos. Joseph Gordon-Levitt, o Robin de “Batman o Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012) é a figura que chama público. Outra beldade com participação especial, para além do Ben Kingsley (Papa Rudy) é a fotografia /CGI dirigida pelo entendidíssimo Dariusz Wolski de todos os “Piratas do Caribe” (2003/2006/2007/2011) e de “Prometheus” (2012) duas referências nessa tecnologia no cinema. A música ficou por conta do indicado ao Oscar por duas vezes, Alan Silvestri de “Os Vingadores” (2012) e “Capitão América” (2011). Robert Zemeckis , que vai de “De Volta para o Futuro” (1989/1990) ao “Náufrago” (2000) e ganhando um Oscar por “Forrest Gump” (1994) no meio do caminho deve ter achado fácil reger essa orquestra de atuações em fundo azul.

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Pra fechar, um francês que se sentia pássaro, realizou uma proeza única, tendo nas veias a transgressão pelo instituído e que acabou adotando os EUA como país é uma metáfora americanófila rasgada. Sem contar que o filme é um tributo às duas torres gêmeas. Elas são as grandes damas que ganham alma, são mais personagens principais que o próprio Philippe Petit. “A Travessia” é um produto tipicamente americano na gramática cinematográfica, na tecnologia e na ideologia, e ainda prova que a casa já era mal vigiada desde o início. Santo imperialismo, Batman!

A-Travessia

  • Festival do Rio 2015 – Mostra Panorama do Cinema Mundial
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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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