A Floresta que se Move

A Floresta que se Move (The Moving Forest). (Drama/Thriller); Elenco: Nelson Xavier, Gabriel Braga Nunes, Ana Paula Arósio, Ângelo Antônio; Direção: Vinícius Coimbra, 2015. 109 min. #FestivalDoRio2015

O diretor de “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” exibiu seu mais recente longa-metragem na Premiére Brasil do Festival do Rio. “A Floresta que se move” mistura metafísica, sede de poder e ausência de limites numa história de crime, com uma gramática norte-americana bem desenhada, e inspirado em Macbeth de Shakespeare.

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Elias (Gabriel Braga Nunes) é um alto executivo de um banco que após ouvir uma profecia de uma bordadeira: a de que ainda naquele mesmo dia seria vice-presidente da instituição em que trabalha,  e que um dia viria a ser  seu presidente, mancomuna  com sua mulher o assassinato de Heitor (Nelson Xavier), o então presidente. Após o assassinato, crises de consciência e falta de paz os assolam. Se vendo, então, em vias de serem descobertos cometem outros assassinatos e são perseguidos espiritualmente por suas vítimas. O filme visivelmente inspirado na obra do século XVII se pretende contemporâneo. Embora em seu arcabouço o seja, a escolha pelo viés da atuação se mostrou excessivamente teatral, pesada e muito literária.

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Gabriel Braga  e Ana Paula Arósio estão divinos, para o teatro. O que realmente prende a atenção no longa é a cinematografia espetacular: os takes, as cores, as metáforas imagéticas: a floresta que parece invadir o escritório de Heitor pela claraboia, que sugere uma espécie de sala medieval, e os pesadelos;  a linha  norte-americana de SCI dando uma atualização à tragédia,  contemporaneizando para uma linguagem que conhecemos, e o aspecto lúgubre dado pelo figurino em tons variantes de preto e cinza, são primorosos. Na trilha sonora não podia faltar Beethoven, é claro, com toda a sua portentosidade  para fechar com chave de ouro.

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Com “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”(2011) Vinícius Coimbra acertou no exagero regionalista, que é o mote da obra literária, e que caiu muito bem no filme; com “A Floresta que se Move” Shakespeare engasga na transposição da literatura para a linguagem cinematográfica. Produzido por Elisa Tolomelli de “Cidade de Deus” (2002) o  filme que traz para contemporaneidade Lady Macbeth é uma boa película de terror e suspense regado a muita ambição. Uma boa história com uma excelente fotografia, e só.

  • Festival do Rio 2015 – Mostra Première Brasil: Competitiva longa/ficção.
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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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