Tudo Vai Ficar Bem

Tudo Vai Ficar Bem (Every Thing Will Be Fine). (Drama); Elenco: James Franco, Charlotte Gainsbourg, Rachel McAdams, Julia Sarah Stone; Direção: Wim Wenders; Alemanha/Canadá/França/Suécia/Noruega, 2015. 1180Min. #FestivalDoRio 2015

Wim Wenders é o cineasta das entrelinhas, com “Tudo Vai Ficar Bem” mostra o cotidiano de um escritor e como ele lida com o que lhe acontece a partir do atropelamento e morte de uma criança, do qual ele foi o autor.

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Thomas Eldan (James Franco) é um escritor sem filhos, num relacionamento desgastado, que numa noite de natal, em meio à neve, atropela e mata uma criança. A partir daí tem que conviver com esse episódio em sua vida. Se aproxima da mãe, Kate (Charlotte Gainsbourg) que também se sente culpada, com o intuito de expurgar sua dor, a dela e ser útil em algo, numa espécie de compensação, sem sucesso. Em meio a tudo isso o movimento da vida acontece, Thomas casa-se com outra pessoa, ganha uma enteada, Mina (Julia Sarah  Stone), faz sucesso com seus livros e administra os bons e os maus momentos do seu cotidiano, sempre seguindo em frente. Dezessete anos depois, o irmão da vítima, Christopher (Robert Naylor) o procura, e mais uma vez Thomas tem que lidar com  a situação.

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Exibido no Festival de Berlim de 2015, o mais recente filme de Wim Wenders de “O Sal da Terra” (2014) é a desmistificação  de final feliz. De que tudo fica como queremos e pontua a forma com a qual Thomas encara o que lhe acontece, o seu foco – alvo de questionamentos de sua mulher Ann (Marie-Josée Croze) – e sua forma assertiva de conduzir as situações,  acrescentando que isso não significa não ter  sensibilidade. Win Wenders coloca a temperança como uma das personagens de sua história, fomentada através dos silêncios de Thomas. Como em “Paris, Texas” (1984) em que o silêncio  de  Travis Henderson (Harry Dean Stanton) propõe fabulações nas redes do espectador, até que os fatos se esclareçam. E nenhuma delas (das fabulações), sejam quais forem, deixam de ter sua pertinência, em “Tudo Vai Ficar Bem” a armadilha que nos é proposta a partir do título brinca com nossas expectativas e com o ideário de um final feliz. E o que o mestre Wenders nos apresenta é a vida como ela é, com seu movimento, com todas as coisas acontecendo ao mesmo tempo, sem nenhuma delas se resolver com um ponto final, e ainda mostra que nunca se tem completa paz, e que isso não significa infelicidade.

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Wim Wenders juntamente com o roteirista Bjorn Olaf Johannessen de “Nowhere Man” (2008) fazem um passeio sutil pelos acontecimentos simultâneos da vida embalados pela orquestra sinfônica de Gothenburgh, numa viagem pelo modus operandis de Thomas em relação a seu cotidiano e a forma de atuar nele. Em Suma, sem pirotecnias, nem Plot Twists ou grandes fabulações filosóficas, o mais recente filme do mestre alemão fala sobre o modo de lidar com a vida e que tudo é uma questão de perspectiva.

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  • Festival do Rio 2015 – Mostra Panorama: Grandes Mestres.
  • Editado em 09/03/2016
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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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