007 Contra Spectre

007 Contra Spectre (Spectre). (Ação/Aventura/Thriller); Elenco: Daniel Craig, Christoph Waltz, Léa Seydoux, Ralph Fiennes, Mônica Bellucci, Ben Whishaw, Andre Scott; Direção: Sam Mendes; Reino Unido/USA, 2015. 148 Min.

Com mais de meio século de franquia, 007 já faz parte da história do cinema com todos os altos e baixos típicos de uma carreira tão longa e promissora. Saído dos livros de Ian Fleming de 1953, o agente inglês James Bond, que atende pelo codinome de 007 a serviço do M16, está em ação no audiovisual desde de 1962. Com 24 filmes produzidos, 7 indicações ao Oscar e 4 conquistados; com 5 indicações ao Globo de Ouro e 1 na estante; com 5 indicações ao BAFTA e 2 no currículo, fora outras premiações, a franquia não tem do que se envergonhar. Foram 11 diretores, 6 atores que viveram o agente sedutor nas telas para o mundo inteiro: Sean Connery, George Lazenby ( 007 A Serviço de sua Majestade/1969); Roger Moore, Thimothy Dalton, Pierce Brosnan, e agora Daniel Craig, desde “Cassino Royale” (2006). As últimas duas edições ficaram sob a batuta de Sam Mendes. É nessas últimas duas produções que a gente vai se deter.

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“007 Contra Spectre” é a continuação de “Operação Skyfall” (2012). Depois da morte de M (Judy Dench), as ações de 007 passam a ser questionadas. O M16, na pessoa de M (Raph Fiennes) – agente substituto – está elaborando um projeto de vigilância e acesso a informação, enquanto isso o agente C (André Scott) faz o mesmo competindo internamente. Durante as guerras de projetos James Bond recebe uma pista de Oberhauser (Christoph Waltz), o novo chefe da Spectre. De que está vivo e na ativa. Tenta chegar até ele com a ajuda de Q (Ben Wishlaw) despistando o sistema de vigilância. Nesse ínterim descobre alguns fatos de sua infância, e que estão interligados ao caso que investiga. Recebe ajuda de duas damas: Lucia (Mônica Bellucci) e Madeleine Swann (Léa Seydoux). Ora, não seria a franquia de Fleming se não tivesse mulheres bonitas, classudas e sedutoras, como são as divas que arrebatam a história do agente cavalheiro.

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Tem vários aspectos interessantes em “007 Contra Spectre”, dentre eles:  1) a bordagem da infância de Bond.  2) o retorno da organização SPECTRE (Special Executive for Counter-intelligence, Terrorism, Revenge and Extortion) que vem de longa data: é citada no “Satânico Dr. No” (1962); aparece em: “Moscou contra 007” (1963), “007 Contra Chantagem atômica” (1965),  “Com 007 Só SeVive UmaVez” (1967), “007 a Serviço de sua Majestade” (1969), “Os Diamantes são Eternos” (1971) e some de vez, desmantelada e extinta em “007 Somente para seus Olhos”(1981). Retorna agora pelas mãos dos roteiristas John Logan (A Invenção de Hugo Cabret/2011); Neal Purvis (Operação Skyfall/2012), Robert Wade (Cassino royale/2006) e Jez Butterworth (Aliança do Crime/2015) como uma organização comandada por Oberhauser.

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A história é boa mas é mal amarrada. Duas histórias correm paralelas em meio a cenas de ação gratuitas, com mais performance do que ação procedente no roteiro. Se estende por mais tempo do que tem de história. São duas horas e meia que se arrastam entre seduções, perseguições, explosões e conflagrações políticas entre territórios de informação, numa verdadeira saga de caim e Abel com CGI. A franquia teve filmes ovacionados e outros nem tanto. Talvez, “007 Contra Spectre” fique na ala dos nem tanto, com erros de continuidade (por exemplo: o vestido com que Madeleine (Lea Seydoux) vai dormir é um e acorda de camisola); forçação de barra na exponencialização da ação (por exemplo: acidente na neve); gratuidade de perseguições, a reaparição sem sentido de Oberhauser depois da explosão da base do deserto. Ou seja, tudo denota uma falta de cuidado que não se vê, por exemplo, em “Skyfall”, que é do mesmo diretor, tem uma pegada de conexão com o tempo muito boa e uma história convincente.

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Mas nem tudo está perdido, a manutenção das características da franquia é o ponto mais forte. A arte de abertura típicas  de 007; o estilo sedutor e os clichês que consagraram o espião;  a fotografia soberba, límpida e elegante de Hoyte Van Hoytema de “Ela” (2013) e “Interestelar” (2014) e a atuação de Christoph Waltz, que mais uma vez rouba a cena e deixa  todo mundo comendo poeira. Deve ser a sina de Sam Mendes, Javier Bardem fez o mesmo em “Skyfall”.

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Fazendo analogias, quando tem-se um produto que é uma franquia, já tem uma marca, um jeito, um estilo, a fidelidade a esses quesitos é importante, mas sua atualização também é. Os grandes exemplos da temporada 2015 de filmes desse nicho são “Mad Max” e “Missão Impossível” que se respeitaram como produto e botaram pra quebrar em relação a contextualização. A franquia 007 dá a impressão de querer manter o classicismo e acrescentar só tatibilidade gratuita, e nessa edição com muito pouco cuidado. “007 Contra Spectre” falando tecnicamente, é muito barulho por nada, muita fumaça e pouco fogo, infelizmente.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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