Jogos Vorazes: A Esperança – o final

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final (The Hunger Games: Mockingjay – Part 2). (Aventura/Ficção Científica); Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore; Direção: Francis Lawrence; USA, 2015. 137 Min.

Chega ao fim a saga que mobilizou o mundo inteiro desde 2012, baseada na livro “Mockingjay” de Suzanne Collins. Chega ao fim a jornada política de Katnis Everdeen tranformada em blockbuster de aventura e ficção científica com muita ação. E como um bom blockbuster a gente quer um final majestoso, pirotécnico e que, de preferência, alimente a eternização. É aí que está o diferencial de “Jogos Vorazes: A Esperança – O final”. A saga é uma adaptação literária que conta a história de uma menina/mulher que se oferece no lugar da irmã para participar de um jogo de carnificina. Que vence, e com seu carisma, gera a identificação de uma massa. Que é usada ‘marqueteiramente’ por um governo tirano, e que consegue nas lacunas deixadas, se impor e se fazer respeitar a ponto de não poder ser descartada pura e simplesmente. Uma saga que consiste num jogo de xadrez que usa potencialidades de percepção, estrategismo e físicas. E, nesse ínterim, a gente se esqueceu que Katnis Everdeen é uma mulher comum e sem poderes especiais. Suzanne Collins não esqueceu, é isso que ela nos lembra com a parte final da saga cuja adaptação sempre esteve sob sua batuta.

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Katnis Everdeen (Jennifer Lawrence) reencontra Peeta Mellark (Josh Hutcherson) completamente desnorteado e um bestante do Presidente Snow (Donald Sutherland). Percebendo que a única maneira de deter o tirano era mata-lo, Katnis, contra a vontade de Alma Coin (Julianne Moore), resolve fazê-lo por conta própria. E escondida ruma para a capital. Chegando lá recebe o apoio de uma força-tarefa e descobre que para chegarem a mansão de Snow têm que cruzar a cidade toda. E esta possui armadilhas pelas ruas, chamados casulos, que na realidade, constituem os novos obstáculos dos novos jogos vorazes. Dessa vez ao ar livre e sem controle, muito mais difíceis e com táticas políticas surpreendentes.

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Dentre os momentos memoráveis do longa, estão a forma que encontraram para fechar a participação de Philip Seymour Hoffman (1963-2014), o Plutarch Heavensbee – que faleceu antes de gravar sua participação final – sem o uso de CGI ou computação gráfica, inserindo outro personagem lendo uma carta que seriam suas palavras a Katnis;  E a cena grandiosa do longa que arranca aplausos dos espectadores. “The Hunger Games: Mockingjay Part 2” é um filme com muita ação procedente, com sentido e coerência com toda a franquia. Tem cenas eletrizantes e uma pegada de realidade numa linha de desaceleração da tatibilidade, que ninguém esperava. O longa teve seus momentos de pico, mas em relação a toda a obra ele é o pé no freio  de todo ritmo imposto em tudo, inclusive na empolgação comercial.

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A franquia Jogos Vorazes trabalhou maravilhosamente tanto os jogos com suas estratagemas e ação física – chamariz do produto cinematográfico/blockbuster – como a política, que é o seu contexto, embora tenha esmaecido os tons se comparado ao livro. Abordou com igual intensidade da ação, a afeição entre Katnis, Peeta e Gale (Liam Hemsworth), que é outro atrativo de público e vende como produto. Quem não curte a ação, assiste pelo romance, quem não curte o romance vai a sala escura pela ação. Com isso durante três anos a franquia lucrou milhões, agora chegou a hora de ser nobre e fiel à história. “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final” finca pé nas cartadas políticas e naquilo que é a verdade ignorada: a condição de mulher de Katnis como alguém que tem uma vida comum e quer ter essa vida comum. A questão é que esperamos uma espécie de eternização da ação como se ela fosse uma heroína da Marvel, não é. E foi bom Suzanne Collins ir até o fim, como fim mesmo. (pelo menos para a saga). O que não significa que a obra decepcionou, pelo contrário, ela não se rendeu, como Katnis. E para quem prestar atenção direitinho, tem uma espécie de continuação gloriosa de outra forma, e por algo que Katnis sempre lutou. Isso consta na última cena num silêncio poético.

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“Jogos Vorazes: A Esperança – o final” é o fechamento digno e fiel à obra literária no que pôde ser transposto para a linguagem cinematográfica. A heroína surgida do Best Sellers de Suzzanne Collins não é a “Mulher Maravilha” ou a “Super Girl” é Katnis Everdeen do distrito 12 que defendeu sua família, sua crença e sua pátria e seguiu a vida como todos nós. Assim como Panem pode ser qualquer lugar, Katnis Everdeen pode ser qualquer um (essa é a ideia). A questão é que ser comum não dá ‘ibope’ e não empolga mesmo. Mas o filme dá conta do recado, e é para se ter em casa ao lado da obra literária como uma boa adaptação literatura/cinema e que teve a ousadia de ser coerente. Como o Slogan diz: Nada vai preparar você para o final… nada mesmo. Vale conferir.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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