A 5ª Onda

A 5ª Onda (The 5th Wave ). (Ação/Aventura/Ficção-científica); Elenco: Chlöe Grace Moretz, Nick Robinson, Ron Levington; Direção: J. Blakeson; USA, 2016. 112 Min.

A 5ª onda é o tipo de filme que nos faz pensar sobre a importância do papel do diretor. O longa-metragem tem bons roteiristas, é uma adaptação literária de um Best-Sellers homônimo, mas se transforma num festival de clichês do gênero ação/aventura/ficção-científica, chegando ao nível da paródia, com cenas risíveis. E se caracteriza, basicamente, por ser um Frankstein com recortes e colagens de cenas de “Contatos imediatos do 3º grau” (1977); “Independence Day” (1996); “O Dia Depois de Amanhã” (2004); “The Walking Dead” (série de TV); “2012” (2009); “Maze Runner: Correr ou Morrer” (2014) e “Jogos Vorazes”, dentre outros.

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A história é apocalíptica e se localiza no nicho do cinema catástrofe. Num dia  ensolarado na América, alienígenas visitam o planeta Terra com finalidades de extermínio e ficam com sua espaçonave planando sobre uma determinada região provocando eventos devastadores designados como ‘ondas’. Na 1ª onda toda fonte de energia é cortada; na 2ª onda terremotos e tsunamis causam destruição; na 3ª onda um vírus de contaminação aérea elimina de uma só vez uma boa parte da população; na 4ª onda os alienígenas se infiltram entre os seres humanos; na 5ª onda os humanos são provocados a reagir com o objetivo de se  selecionar os melhores guerreiros. A heroína é uma adolescente de 16 anos Cassie Sullivan (Chlöe Grace Moretz) que em meio ao caos, tenta encontrar seu irmão, salva-lo das mãos dos alienígenas e ao mesmo tempo administrar a ebulição hormonal adolescente. O argumento é bom, tem camadas interessantes. Tudo o que acontece é fruto de uma manipulação externa que mexe com a natureza e a fisiologia humana, inclusive psíquica. Porém, morre na praia em relação a essa condução, com atuações exageradas, com diálogos rasos, e por vezes, desconexos, cheios de clichês que são enfatizados, inclusive, tornando a coisa risível. As costuras entre os núcleos de personagens são frágeis e tem erros grosseiros de continuidade.

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A questão é que o filme é uma adaptação da obra literária de Rick Yancey um escritor premiado.  O livro figura na lista do New York Times e tem escopo como obra juvenil de ação e aventura. Os roteirista são bons: Susannah Grant de “Erin Brokovich” (2000) pelo qual foi indicada ao Oscar; Akiva Goldsman, oscarizado por “Uma Mente brilhante” (2001) e Jeff Pinkner de “Fringe”; “Lost” e “Alias”. A fotografia é do mesmo cara que fez “Maze Runner: Correr ou Morrer”, Enrique Chediak, que foi indicado ao BAFTA por “127 Horas” (2010). A trilha Sonora é Henry Jackman, o mesmo do oscarizado “Operação Big Hero”. A Chlöe Grace Moretz é uma das revelações do momento, tendo no currículo “A invenção de Hugo Cabret” (2011) e “Acima das Nuvens” (2014). Então, a pergunta que não quer calar é: o que deu errado?

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J. Blakeson está em seu segundo longa-metragem, o primeiro foi o desconhecido “The disappearance of Alice Creed” (2009) e vem do nicho dos curta-metragens.  No cinema, embora seja uma indústria, com ‘n’ profissionais, o diretor ainda tem sua importância. É ele quem dirige as atuações, quem escolhe as imagens que vão dar cara ao filme, quais metáforas imagéticas dirão o que um discurso inteiro o faria, etc. O diretor ainda é o grande maestro da orquestra. Por mais que se tenha bons profissionais o que se faz com o que eles produzem ainda é função do diretor.  Agora, outra pergunta a se fazer é: Para qual público se dirige a obra?

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Nem todo filme tem que ser uma obra de arte ou uma ode à perfeição. Há filmes e filmes. “A 5ª Onda” mesmo tendo suas questões estruturais é um filme de ação e aventura e é voltado para um público que curte ação e aventura, e isso o filme tem. Voltado para um público jovem que queira ver um romance e muito CGI, o filme tem também. Ou seja, visto como obra cinematográfica aos olhos de um cinéfilo, deixa a desejar. Como produto de consumo entrega o que promete.

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Em suma, para alguns é o tipo de filme para se assistir quando não se tem opção, mas, para outros, nem tanto. Agora, serve como um bom parâmetro filosófico para balizarmos entre o bom e o ruim. Afinal não saberíamos o que é um filme bom se não tivéssemos o referencial oposto. Como diz o filósofo: “O que seria da luz se não fosse a escuridão”.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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