Brooklyn

Brooklyn (Drama/Romance); Elenco: Saoirse Ronan, Jim Broadbent, Domhnall Gleeson, Emory Cohen, Julie Walters; Direção: John Crowley; Irlanda/Reino Unido/Canadá, 2015. 111 Min.

Em tempos de imigração de refugiados um filme que fale sobre  a adoção de um outro país como o seu pode até cair nas graças do público, se sair do lugar comum, o que não é caso de “Brooklyn” de John Crowley. A história é baseada no livro homônimo de Colm Tóibín e roteirizado por Nick Hornby e versa sobre a escolha da América como lar, com um viés bem leve e cheirando a rosas.

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Em plena guerra fria, na década de 50, com tudo pago, lugar para morar, emprego garantido e um semestre pago na universidade, Eillis Lacey (Saoirse Ronan) embarca da Irlanda para os Estados Unidos da América. Apadrinhada por um sacerdote, amigo da família, Padre Flood (Jim Broadbent), Eillis se aventura na vida protegida como nenhum imigrante que saiu de sua terra para ganhar o pão de cada dia teve a sorte de ser. O contato que mantém com sua terra natal é através de sua irmã Rose (Fiona Glascott), é para ela que conta suas experiências. Conhece, então, Tony (Emory Cohen) e iniciam um relacionamento. Até  que um revés acomete a sua família na Irlanda e ela tem que viajar de volta para dar suporte à sua mãe, com tudo acertado para o retorno a América. Até que a sorte lhe sorri de novo e  ganha um emprego e um possível novo amor, Jim Farrell (Domhnall Gleeson). Na realidade, a história é sobre a perspicácia e  assertividade de Eillis. O longa trata a imigração pelo viés da liberdade feminina de tomada de decisões, de coragem e de administração de sua própria vida com independência financeira e emocional. Nesses episódios de conflitos as qualidades da personalidade de Eillis se revelam. O mote é o poder dessa mulher que, sozinha, resolve ganhar o mundo sem perder a graça e a dignidade. Diferente de “Era Uma Vez em Nova York (2013) de James Gray, que também é uma história sobre imigração, só que, na década de 20, em que Ewa Cybulska (Marion Cotillard) sofre horrores com o choque cultural, com as necessidades pelas quais passa e com os vilipêndios pelos quais os imigrantes eram/são expostos; em “Brooklyn” essa jornada sociológica não acontece, ela é uma jornada pessoal entre dois amores e dois lugares.

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John Corwley conhecido por “Circuito Fechado” (2013) e alguns episódios da série de TV “True Detective” deu um tom intimista e uma pegada feminina a questão da imigração. No conjunto da obra a fotografia Yves Bélanger de “Livre” (2014), a direção de arte de Robert Parle e a trilha sonora de Michael Brook de “Na Natureza Selvagem” (2007) mandaram muito bem. Agora os destaques vão para o figurino impecável de Odile Dicks-Mireaux de “O jardineiro Fiel” (2005) e para a personagem  da dona da  pensão Mrs Keogh (Julie Waters), que é simplesmente impagável, com sua forma de pensar e agir para a época.

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Quanto as premiações, foram regionais.  como o filme é co-produzido pela Irlanda e Reino Unido, os festivais e agremiações de prêmios dessas paragens, salvo algumas associações de críticos Americanas, foram os que coroaram o longa com algum laurel. No BAFTA 2016 ganhou o prêmio Alexander Korda; no British Independent Awards 2015 o de melhor atriz para Saoirse Ronan; no círculo de críticos de Dublin ganhou melhor filme irlandês em 2015, dentre outros. Foi indicado ao Oscar 2016 em três categorias: melhor filme, atriz e roteiro adaptado e foi perdendo força. Agora, O figurino, que é seu ponto forte, não foi indicado, vai saber.

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“Brooklyn” é mais uma ode a América como terra de onde mana leite e mel e a conexão é o bairro do Brooklyn em Nova York, com uma história que parece ter saído das páginas de Nicholas Sparks pelo seu tom açucarado no romance. Pelo menos na versão cinematográfica, é uma história comum, linear e ‘clichezona’. #prontofalei

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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