Mais Forte que Bombas

Mais Forte que Bombas (Louder than Bombs) (Drama); Elenco: Isabelle Huppert, Gabriel Byrne, Jesse Eisenberg, Devin Druid, David Strathain; Direção: Joachim Trier; Noruega/França/Dinamarca, 2015. 109 Min.

O cineasta dinamarquês naturalizado norueguês, Joachim Trier, vindo de uma família de cineastas e conhecido pelos premiados “Oslo, 31 de Agosto” (2011) e “Começar de Novo” (2006) repete a façanha com “Mais Forte que Bombas”/”Louder Than Bombs” (no original). Indicado à Palma de Ouro  2015, ganhou o Oscar norueguês (o Kanoprisen Award) de melhor diretor no Kosmorama Film Festival; menção honrosa da crítica norueguesa e o Cavalo de Bronze do Festival de Estocolmo. E, o possível, motivo não é nada simples. Joachim Trier aborda toda uma história altamente subjetiva mergulhada no cotidiano, fazendo analogia com as angulações da fotografias e o lugar de onde se vê uma situação (relações e pessoas). “Mais Forte que Bombas ” é uma ode a perspectiva.

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Convidado por uma galeria de arte para expor as fotografias de todo um trabalho como correspodente de guerra de sua falecida mulher, Isabelle (Isabelle Huppert), Gene (Gabriel Byrne), além de estar na fase final de um luto de três anos ainda tem que administrar os problemas de sociabilidade de seu filho mais novo Conrad (Devin Druid). Por conta de tudo isso pede ajuda ao filho mais velho, Jonah (Jesse Eisenbeg) que é casado e acaba de ser pai. Essas diversas nuances da vida de cada um é que são os trilhos pelos quais o roteiro segue com cruzamentos e emaranhados de histórias que enfatizam sempre como o personagem se vê visto pelo outro e as múltiplas interpretações de uma mesma coisa. As narrativas de cada um sobre si mesmo é sempre na terceira pessoa, o indivíduo fala de si deslocado, de outro lugar que não o seu interior. Uma abordagem que insinua que um estranho pode saber mais de um ente querido nosso do que nós mesmos e de que todos temos segredos. Além da desconstrução do conceito do que seja estar presente.

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Por tanta subjetividade bem trançada, tantas abordagens de perspectivas diferentes, o filme exige muita atenção e alveja quem gosta de histórias sobre o cotidiano e de  nuances da personalidade humana.  Além da fotografia de Jakob Ihre de “En Familie” (2010) e “Oslo, 31 de Agosto” pelos quais levou vários prêmios de melhor fotografia e da história muito bem costurada, roteirizado por Trier e Eskil Vogt de “Blind” (2014) – outro primor da subjetividade –  o longa tem como destaque a trilha sonora Ola Flottun de “Força Maior” (2014). Estrelado por Isabelle Huppert de “Fique Comigo” (2015) e Gabriel Byrne de “Os 33” (2015), o longa nos diz que o cotidiano e tudo o que nele habita é tão barulhento  e poderoso quanto as bombas de uma guerra.

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Joachim Trier e Skil Vogt  transformam a história de uma fotógrafa correspondente de guerras e sua relação com a família numa ode a perspectiva e a sua associação às redes de significações de cada personagem. Onde ninguém vê a mesma coisa, nada é o que é e não existe é, somente o estar. Uma brincadeira filosófica com a relatividade da realidade. Estupendo!

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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