Rua Cloverfield, 10

Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane) (Drama/Terror/Mistério); Elenco: John Goodman, Mary Elizabeth Winstead, John Gallagher Jr; Direção: Dan Trachtenberg; USA, 2016. 103 Min.

Foi dada a largada em mais uma franquia apocalíptica. Dessa vez produzida por J.J. Abrams e dirigida por Dan Trachtenberg. Com cheiro de enterro dos ossos de “Lost”, uma pegada “Jogos Mortais” light e na cola de “5ª Onda”, “Rua Cloverfield, 10” começa bem.

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Após um acidente  de carro, depois de uma briga com o namorado, Michelle (Mary Elizabeth Winstead) acorda presa num bunker com Emmet (John Gallagher Jr) sob os cuidados de Howard (John Goodman), um ex-mariner paranóico. A partir daí o roteiro se desenvolve traçando um painel do perfil psicológico das personagens, pautado na relação entre os três dentro de um contexto de poder de sugestão sobre o que acontece fora do bunker, e trabalha bem as vertentes possíveis de verdades e mentiras: as nuances de discurso e o poder de manipulação da retórica. O longa habita o espaço de criação de imaginários individuais com conflagrações entre eles e uma pitada de humor para quebrar a tensão.

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“Rua Cloverfield, 10” tem como coluna vertebral o roteiro que foi escrito a seis mãos. A história é de Josh Campbel de “Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-roupa” (2005) e do estreante Mathew Stucken. Quem faz o arremate final é Damien Chazelle de “Whiplash: Em Busca da Perfeição” (2014) onde se mostrou grande na linha de abordagem de nuances emocionais e psicológicas. Na produção tem J.J.Abrams, o criador de “Lost” e “Fringe”, e diretor de um dos blockbusters mais bem sucedidos do ano de 2016, “Star Wars: O Despertar da Força”. A propaganda de “Rua Cloverfield, 10” está toda em cima de J.J., por ser uma cara competente, criativo e que chama público. Mas quem dirige é Dan Tachtenberg, que é estreante em longa-metragens, mas que não seria aposta de grande produtores (Bryan Burks de “Star Trek” também faz parte da equipe) se não prometesse de alguma forma. E para o primeiro filme de uma saga que continua, até que Trachtenberg se deu bem. A trilha sonora de Bear McCreary de “The Walking Dead” está divina, com inserção de músicas espetaculares, numa remetência a essência humana, antes do apocalipse; na fotografia está Jeff Cutter de “A Hora do Pesadelo”(2010) e que tem dois núcleos de cores muito específicos: o do bunker e do mundo lá fora.

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No mais, “10 Cloverfield Lane” (no original) é um terror psicológico que inicia uma franquia de invasão alienígena, que trabalha muito bem o suspense na argumentação e as linhas retóricas dos conceitos de verdadeiro e falso. E que escolhe o ponto de vista de Michelle dentro da argumentação com todos os pontos cegos que são inerentes a ver a partir de um só lugar. E essa pegada é muito bem feita e inteligente.  Agora é esperar para ver se a massa desse bolo cresce ou se sola de vez. Numa palavra? Genial!

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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