Mogli, O Menino Lobo

Mogli, O Menino Lobo (The Jungle Book) (Aventura/Drama/Família); Elenco: Neel Sethi; Vozes: Bill Murray/Marcos Palmeira, Ben Kingsley/Dan Stulbac, Idris Elba/Thiago Lacerda, Lupita Nyong’o/Julia Lemmertz, Scarlett Johansson/Alinne Moraes; Direção: Jon Favreau; USA, 2016. 105 Min.

Não é de hoje que “The Jungle Book” (1894) – o Livro da Selva –  do indiano/inglês Rudyard Kipling (1865-1936) sofre adaptações para outras linguagens como os quadrinhos, os desenhos animados e filmes. Agora chegou a vez da modalidade live-action, que consiste na interação de atores reais com animação, tendo seu precursor mais bem sucedido “Uma Cilada para Roger Rabbit” (1988) de Robert Zemeckis. Com Jon Favreau na direção e Justin Marks na adaptação da história para o cinema, a abordagem versa sobre identidade, respeito às diferenças de potencialidades e valorização da heterogeneidade como complemento na relação com o outro.

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Mogli (Neel Sethi) é um menino criado por lobos e que se compara a eles, quer lutar e ser como eles. Tem como cicerone nessa jornada de auto-descoberta Bagheera (Ben Kingsley/Dan Stulbach) uma pantera lustrosa e sábia. Tudo começa quando uma seca sem precedentes atinge a floresta, e por conta disso os bichos  têm de se reunir no mesmo rio para beber água, o tigre Shere Khan (Idris Elba/Thiago Lacerda) descobre o filhote de homem entre os lobos. E dá um prazo para a alcateia resolver a questão, depois do qual ele mesmo a resolveria, se Mogli ainda estivesse por lá. Mogli percebendo a situação se antecipa e decide ir embora, e Bagheera resolve guiá-lo até a aldeia dos homens. A aventura de autoconhecimento se dá no caminho, numa série de situações em que são expostos os potenciais de cada um: o da sedução da serpente Kaa (Scarlett Johansson/Alinne Moraes);  a força e a malandragem do urso Baloo (Bill Murray/Marcos Palmeira) e os” truques”, a engenhosidade de Mogli, dentre outros.

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O longa metragem é uma bem sucedida adaptação do livro original quando respeita o estilo da obra e usa a tecnologia de ponta (CGI e a de captura de movimentos) para chegar o mais perto possível do que imaginou Rudyard Kipling. E ao mesmo tempo, está atenta ao estilo da Disney, que é o de ser detalhista. Jon Favreau fez questão de escolher uma dentre duas mil crianças no mundo todo que mais se encaixasse no fenótipo indiano e que tornasse real a vivacidade de Mogli, com um olhar de esperteza e sagacidade. E ainda deu a sorte de Neel Sethi, de 12 anos, ter um desprendimento nato para atuar para o vazio, pois todos os outros personagens são obra de computação gráfica.

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Dirigido por Favreau de “Homem de Ferro” (2008/2010) e roteirizado por Justin Marks oriundo de séries de TV, “Mogli, O Menino Lobo” tem outros aspectos técnicos que merecem destaques: A trilha sonora de John Debney de “Sin City: A Cidade do Pecado” (2005), manteve as músicas de versão de 1967, “I Wanna be like you” dos irmãos Sherman e “The Bare Necessities” canção composta por Terry Gilson e que concorreu ao Oscar da categoria em 1968. Na fotografia, a alma do longa, Bill Pope de “Matrix” (1999/2003), outro marco dos efeitos especiais no cinema.

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No mais, a adaptação de um clássico da literatura inglesa, escrita pelo prêmio Nobel de literatura de 1907, cujos os personagens dão nomes aos escoteiros do reino unido, respeitou a originalidade da obra, os valores nela veiculados e se empenhou artisticamente em trazê-la ao máximo para a ‘realidade’. E, ainda, deu uma abordagem contemporânea quando não subestima o público infanto/juvenil e incentiva o desenvolvimento de capacidades individuais, desconstrói a necessidade do grupo como indicador de identidade e preconiza a necessidade da flexibilização das normas e das regras de acordo com o contexto. “Mogli, O Menino Lobo” diverte e faz pensar.

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Obs: O filme está disponível nas versões dublada e legendada, em 2D, 3D, IMAX e IMAX3D e a classificação indicativa não o recomenda para menores de 10 anos.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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