Capitão América: Guerra Civil

Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War) (Ação/Aventura/Ficção-Científica); Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr; Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Paul Betanny, Paul Rudd, Elizabeth Olsen; Direção: Anthony Russo e Joe Russo; USA, 2016. 147 Min.

“Em time que está ganhando não se mexe” já diz o ditado popular. E isso vale para a 13ª sequencia do universo cinematográfico Marvel. Com o mesmo produtor (Louis D’Esposito) desde “Homem de Ferro” (2008); com as equipes técnicas (cinematografistas, compositores e editores), se alternando nos núcleos dos super-heróis;  e os mesmos atores principais, o Universo Expandido da Marvel tem mantido uma harmonia de continuidade que não podia dar em outra coisa: uma obra admirável de mistura de linguagens (HQs, cinema e vídeo-game). Com um trançado de histórias que se apresentam coerentes em seus roteiros, coesos em sua consistência dentro dos núcleos de cada super-herói e nas interseções entre elas, fecha redondinho.

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Com uma proximidade admirável com os quadrinhos, incluindo takes que nos remetem a eles e tiram aplausos da galera. (salvo algumas alterações muito bem-vindas e felizes em sua elaboração) “Capitão América: Guerra Civil”  continua na mesma linha de contextualização com a contemporaneidade que sempre marcaram as Histórias em Quadrinhos de Super-heróis ao longo de sua trajetória. Agora é o momento de se questionar os excessos de poderes e o uso arbitrário que se pode fazer deles, como em “O Homem de Aço” (2013); “Batman Vs Superman” (2016). É hora de se admitir a humanidade desses super-heróis e seus defeitos e fragilidades como em  “Homem-formiga” (2015) ou mesmo a inserção de um vilão como herói, como é o caso de  “Deadpool” (2016).  Todas essas camadas estão presentes em grau exponencial no último filme da trilogia do Capitão América.

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Se em “Batman Vs Superman”, o Batman questiona a possibilidade de não se poder controlar o Super-Homem,  e dos riscos que seria ter um deus todo-poderoso solto por aí, com condições de destruir o mundo; em “Capitão América” quem faz isso é a ONU, e esta, propõe um tratado de supervisão dos Vingadores. Que eles somente atuassem quando chamados, que avisassem quando fossem entrar em ação e que  fossem mantidos sob vigilância devido aos grandes estragos que causaram a humanidade quando resolveram suas questões anteriores. O Homem de Ferro /Tony Stark (Robert Downey Jr.) concorda e tem argumentos procedentes. O Capitão América/Steve Rogers (Chris Evans) discorda e seus argumentos também são procedentes. O filme é tão bem costurado neste aspecto que até o vilão tem argumentos válidos e coerentes. E cria um prisma de possibilidades argumentativas da realidade que é um verdadeiro manjar de retóricas. E nesse contexto cada lado vai arrebanhando adeptos entre os heróis.

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O longa-metragem fecha a trilogia do Capitão América e aproveita para apresentar personagens que farão seus filmes solo, como “O Pantera Negra” em 2018, e dá o ponta-pé inicial para “Os Vingadores: Guerra infinita” I e II (2018/2019). O interessante de “Capitão América: Guerra Civil” é o quanto se juntou heróis num mesmo espaço, no uso de seus poderes e potencialidades, respeitando a subjetividade de cada um. Numa apresentação que dá liga a uma  vibe gostosa com muita piada procedente, com tiradas sensacionais e que se encaixam naturalmente com competência. E tudo isso com adição de camadas sérias como a política, a emocional e a do produto em si, que são os valores de amizade e lealdade. Em relação à política, o questionamento da segurança da humanidade com tanto poder concentrado, e a introdução da discussão sobre a limitação desses usos via externa, através de uma supervisão, em detrimento da manutenção da liberdade de ação; (e isso dá pano para manga em relação a debates e discussões, na tela e fora dela) a ideológica: o homem de ferro está para o Batman assim como o Capitão América está para o super-homem. O homem de ferro representa o capital, assim como o Batman, do Universo DC Comics;  e o Capitão América a força da ideologia imperialista norte-americana de polícia do mundo, comparável à de uma deidade (como é constituído o Super-Homem). As camadas psicológicas também estão presentes nos traumas de infância e juventude, e nelas as mães estão envolvidas – elas estão em alta ultimamente – tanto no “Batman Vs Superman” quanto no “Capitão América: Guerra Civil”. Mas o grande mote é a lealdade e a fraternidade, o poder da amizade e a importância dela. Que sempre foi o chão das HQs e que é a conexão emocional com o público.

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Quanto aos diretores, os irmãos Russo, fizeram bonito quando aproveitaram a história de Mark Millar dos Comic Books como base do roteiro desenvolvido por Christopher Markus de “Thor: O Mundo Sombrio” (2013) e Stephen Mcfuly. Os Irmãos Russo, que dirigem  a franquia do Capitão América desde “Soldado Invernal” (2014) e conferem harmonia de continuidade e uma conexão com as HQs sem deixar de ser um produto novo, ou seja cinematográfico com todas as diferenças de linguagens existente entre eles. O que, possivelmente, tenha garantido, até agora, a participação dos irmãos na direção de “Vingadores: Guerra Infinita”. O responsável pelo toque final do show de tecnologia à lá vídeo-game com uma velocidade/tatibilidade sensacionais foi Trent Opaloch , indicado ao BAFTA por “Distrito 9” e conhecido por “Elysium” (2013) e “Chappie” (2015) . Com o arremate da edição de Jeffrey Ford e Matthew Schmidt, figurinhas carimbadas na empreitada do Universo Expandido Marvel para o cinema, o longa metragem fecha redondo como bom produto cinematográfico.

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Com duas horas e meia de exibição que passam sem serem sentidas, “Capitão América: Guerra Civil” cumpre sua função sem precisar ter prometido nada e deixa o espectador aficcionado em super-heróis e HQs feliz. Tem ação, aventura, bom humor, sarcasmo, camadas políticas, emocionais e o velho chavão dos Super-heróis – o bem sempre vence. O longa metragem é inteligente,  divertido e fiel às suas origens.

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Obs: apesar de não ter sangue, ou muito pouco, em relação, por exemplo, ao “Demolidor”, e de não ter cenas sensuais nem sexualizadas, pertencendo ao nicho dos quadrinhos, a que qualquer um tem acesso, a classificação etária é a partir dos 12 anos.

Obs2: Editado em 09/05/2016 por conta da  colaboração do leitor Diego Vargas.

About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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