A Intrometida

A Intrometida (The Meddler) (Comédia/Drama/Romance); Elenco: Susan Sarandon, J. K. Simmons, Rose Byrne; Direção: Lorene Scafaria; USA, 2015. 100 Min.

“Nós somos o que espalhamos e não o que juntamos”

(Autor desconhecido)

Seleção oficial dos festivais de Toronto e Tribeca “A Intrometida” é o segundo longa-metragem da diretora e roteirista Lorene Scafaria. Tem no elenco dois atores oscarizados e conta uma história mergulhada no cotidiano de dois aposentados que se negam a se entregar ao ócio e ao ostracismo. O filme versa sobre os novos sessentões sem falar em idade, sem tocar em assuntos chatos e depressivos. E ainda sobre a possibilidade de ser útil como objetivo de vida e veículo de felicidade.

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Marnie (Susan Sarandon) é uma mulher sessentona, viúva de um casamento feliz, com uma filha criada e estabilidade financeira. Aposentada, para não cair no ócio ou depressão decide ser útil e sai mundo afora se intrometendo na vida da filha, das amigas da filha, vai ser voluntária num hospital, faz amizade com um atendente de eletrônicos de uma loja de departamentos, e por aí vai. Marnie se recusa murchar por conta da solidão e vê em cada pessoa que encontra a chance de uma amizade. Até que encontra Zipper ( J. K.Simmons) um policial aposentado com as filhas criadas que vive num sítio, cria galinhas e curte motos.

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O roteiro de Lorene aborda a vida e o que fazemos com ela na maturidade, quando já se sabe que táticas não se capitalizam, que a vida é soberana e põe as  personagens Marnie e sua filha Lori (Rose Byrne) a viver um dia de cada vez com o que lhes acontece. A cena em que Marnie se sente atraída por alguém pela primeira vez depois do falecimento do marido é maravilhosa. O intrometimento de  Marnie é proposital e tem limite, vai até onde ela realmente é útil, e espalha felicidade por onde passa, e o faz por decisão própria. Essa pegada no roteiro é sensacional. No meio disso tudo tem muito episódio engraçado, situações sérias, algumas perigosas e abordagens delicadas. Mas tudo dentro do cotidiano que faz parte da vida de qualquer um de nós. A história é simples e sem engendramentos, é linear e é aquilo que está ali, sem grandes interpretações. É um filme no estilo sessão da tarde. Mas de um preciosismo nos detalhes referentes à subjetividade feminina que merece ser mencionado.

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O que faz do filme um chamariz é a presença de dois oscarizados: Susan Sarandon e J. K. Simmons. A primeira por “Os Últimos Passos de Um Homem” (1995), mas é mais conhecida por “Thelma & Louise” (1991) de Riddley Scott; e o segundo por “Whiplash: Em Busca da Perfeição” (2014), que emprestam seus talentos aos personagens dando grandeza à história. Além disso, tem a trilha sonora de Jonathan Sadoff, oriundo de curta-metragens e filmes de TV que merece atenção. Mas o forte do longa é o roteiro e a direção de Lorene Scafaria de “Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo” (2012).

Continuation

Para fechar, “The Meddler” (no original) é um filme leve que aborda a aposentadoria, a solidão e a velhice e nela a possibilidade de ser útil, ser feliz e até encontrar um novo amor, tudo isso de forma inteligente, sensível e delicada. “A Intrometida” é um filme divertido e doce.

 

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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