Águas Rasas

Aguas rasas (The Shallows) (Drama/Horror/Thriller); Elenco: Blake Lively; Direção: Jaume Collet-Serra; USA, 2016. 86 Min.

Pipocão no nível da sessão da tarde “Aguas Rasas” é uma mistura de “Tubarão” (1975), “Naufrago” (2000) e “Até o Fim” (2013) sem chegar aos pés de nenhum dos três. Seguindo à risca o ditado ‘nada se cria tudo se copia’ é uma boa pedida  para surfistas e adolescentes com espinhas.

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Nancy (Blake Lively) é uma surfista estudante de medicina que depois de perder a mãe para um câncer decide visitar a praia em que ela esteve quando a gestava para pensar na vida e tomar algumas decisões. Lá encontra um tubarão de várias toneladas, faz uma gaivota de amigo e dá aulas de anatomia da musculatura da coxa, além de gritar e gemer muito.

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Sem muita história para contar, com diálogos quase nenhum e uma barbatana de tubarão passando a cada 8 minutos na tela o longa-metragem de Jaume Collet-Serra de “Sem Escalas” (2014) é um monólogo de gritos, sussurros, balbucios e pensamentos em voz alta. Nem de longe chega perto de “Até o Fim”  de J. C. Chandor, em que as circunstâncias são, basicamente, as mesmas e que prima pelo silêncio, que através da edição  e da atuação de Robert Redford, se traduz num discurso inteiro. Em “Aguas Rasas” a direção da atuação é voltada para quem não sabe lidar com o silêncio. Tudo tem que ter uma explicação, numa subestimação do público, ou seleção dele, que incomoda. Possui takes de ação médica para dar um frisson na galera e visita lugares comuns do suspense, sem acrescentar nada. A não ser uma loura de corpo esguio de biquini mostrando que sabe pensar sendo atacada por um tubarão.

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Versão feminina e pretensiosa do filme de Spielberg, “Aguas Rasas” é um produto chiclete para mascar e jogar fora, cujo maior mérito está na fotografia extraordinária de Flavio Martinez Labiano de “O Franco Atirador” (2015) e na trilha sonora de Beltrami que traz uma releitura de  “Walk on the wild side” de Lou Reed. Filmado na Austrália, possivelmente, num dos últimos paraísos do planeta, o longa-metragem é um  deleite para os olhos (com trocadilho). Resumindo, “Aguas Rasas” nada 86 minutos e morre na praia.

 

About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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