O Que Está Por Vir

O que Está Por Vir (L’Avenir/Things to Come) ( Drama); Elenco: Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka; Direção: Mia Hansen-Love; França/Alemanha, 2016. 102 Min.

Intelectualizado no nível de “Winter Sleep” o filme dirigido e roteirizado por Mia Hansen-Love conta a história de um momento na vida de uma professora de Filosofia, o de sua separação. E versa sobre a forma com a qual essa mulher de meia idade, com os filhos criados e uma mãe depressiva reage à situação. Para dar escopo a história autores/filósofos como Rosseau, Sartre e afins aparecem em livros e citações para o prazer dos afeitos à Filosofia. Mas nada que o espectador comum não consiga acompanhar.

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Nathalie Chazeaux (Isabelle Huppert) é uma professora de filosofia reacionária (isso mesmo!!!), ex-comunista e afeita a regras, costumes e rituais. Um belo dia recebe a notícia do marido Heinz (André Marcon) de que havia conhecido alguém  e estava de partida. Estupefacta Nathalie tenta se encontrar entre suas aulas, cuidar de sua mãe, gerir seu trabalho de organizadora de obras de Filosofia junto à editora com a qual trabalha e encontrar alguém para ficar com o gato. Um verdadeiro passeio pelo cotidiano de uma mulher comum, de meia idade que administra um momento novo na vida. Sem vitimismos ou cenas dramáticas o roteiro versa sobre liberdade e a responsabilidade de geri-la  depois dos 40.

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Isabelle Huppert está soberba, para variar, e divide as cenas generosamente com Roman Kolinka (Fabien) ator relativamente jovem. A direção sensível de Mia Hansen-Love é o destaque, dando um tom suave à história num roteiro com uma vibe bastante feminina. O filme ganhou o Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim e, no Festival de Bucharest na mesma categoria. O prêmio de Melhor Atriz para Isabelle Huppert no circulo da crítica em New York, Los Angeles e Bostom e Menção Especial, também para Isabelle, no Alliance of Women Film Journalist.

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“O Que Está Por Vir” postula que a vida é um movimento e que não existe receita. Tudo pode acontecer a qualquer momento e que o grande mote é a sua reinvenção. Um filme feminino feito de mulher para mulher cheio de referências bibliográficas. Se em “Winter Sleep” as citações são postas na história se misturando aos diálogos, em “O Que Está Por Vir” elas são jogadas como links através dos autores e dos títulos da obras, que não estão lá por acaso, ajudam a aprofundar a subjetividade das questões postas, mas não blinda a história para os que não conhecem as obras. Ela continua viável e palatável para todos.

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Mia Hansen-Love de “O Pai dos Meus Filhos” (2009) foi feliz na empreitada de dirigir e roteirizar o longa que, com diálogos inteligentes versa sobre continuidade e mostra a mulherada de forma suave e gostosa de que depois dos 40 e de uma separação existe vida. (atenção para a última cena). O viver em “O Que Está Por Vir” tem seu caminho e seu leito. O filme é para os que  apreciam a vida e a seus movimentos.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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