Belos Sonhos

Belos Sonhos (Fai Bei Sogni/Sweet Dreams) (Drama) Elenco: Valerio Mastandrea, Bérénice Bejo, Nicolò Cabras, Dario Pero, Barbara Rochi; Direção: Marco Bellocchio; Itália/França, 2016. 134 Min.

Depois de “Sangue do Meu Sangue”, entra em cartaz no circuito mais um longa-metragem dirigido por Marco Bellocchio. Dessa vez é uma adaptação do livro de Massimo Gramelline e roteirizado por Valia Santela de “Mia Madre” (2015) e Edoardo Albinoti  de “O Conto dos Contos” (2015) e pelo próprio Bellocchio. “Belos Sonhos” conta a história do amor de um filho por sua mãe, a quem perdera aos  nove anos de idade, sua dor e a saga da administração de sua falta ao longo da vida. Tudo isso permeado por poesia, encantamento e dor.

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Massimo (Valerio Mastandrea) tinha uma relação harmônica com sua mãe, que vem a falecer quando ainda era criança. A necessidade de retornar à casa da família para desfazer-se de pertences aflora sua memória e traz questões não esclarecidas. O que a trinca de roteiristas faz é pontuar, competentemente, a saudade e a falta dessa mãe na vida de Massimo, além de dar ênfase a importância da figura materna na vida de um indivíduo. A abordagem não poupa arroubos de raiva na infância, o registro de não entendimento do que se sucede, signos de tristeza e de decepção. E, ainda, faz uma narrativa coerente quando aborda as situações que marcam essa falta e os subterfúgios usados por Massimo para fugir da realidade de órfão, na infância. Mas a grande cena se encontra na fase adulta quando da resposta sobre o valor de uma mãe a alguém que odiava a sua mãe (magistral!).

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“Belos Sonhos” nos remete a duas obras-primas do cinema, “Sopro no Coração” (1971) de Louis Malle e “Mia Madre” (2015) de Nanni Moretti, mas guarda sua própria digital quando usa como viés o olhar da criança (Nicolò Cabras), do adolescente (Dario Del Pero) e do homem adulto desnudando os véus de acordo com o nível de maturidade e mostrando o quando a cicatriz ainda é visível. E faz tudo isso com doçura, graça e muita poesia. Marco Bellocchio, ao contrário de “Sangue do Meu Sangue”, dividiu o roteiro com outros roteiristas e tem na história uma adaptação. Mas traz sua maneira de contar histórias num vai-e-vem no tempo com recortes de lembranças e da atualidade que se conectam magistralmente. Com paciência e sem pressa (afinal são 2hs e 14 Min) Bellocchio nos põe diante do poder de uma mãe na vida de alguém e quão forte é a  conexão do amor filial.

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O longa-metragem ganhou o Grande Prêmio de Melhor Filme no Ghent International Fim Festival, e tem no elenco Bérénice Bejo de “O Artista” (2011),  e uma trilha sonora divina da década de 60  cujas escolhas são assinadas por Carlo Crivelli, o mesmo de “Sangue do Meu Sangue”.

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“Belos Sonhos” é um filme que passeia pelo primeiro amor da vida de todos nós – a mãe – e o faz com a maestria com a qual Bellocchio acostumou os espectadores em suas obras. “Belos Sonhos” é um filme atravessado por grandes clássicos do cinema como “Nosferatu” (1922) de Friedrich Murnal e,  decididamente, é uma obra  que merece figurar na videoteca de casa.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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