As Mil e Uma Noites: Vol 3, O Encantado

As Mil e Uma Noites: Vol 3, O Encantado (Drama); Elenco: Crista Alfaiate, Américo Silva, Amar Bounachada; Direção: Miguel Gomes; Portugal/França/Alemanha/Suiça, 2015. 125 Min.

Nessa parte Miguel Gomes pega leve em relação aos aspectos políticos e sociais e mergulha na estrutura da história de Xerazade e nos aspectos culturais da população: a vida nas quintas, os criadores de pássaros e faz um alerta econômico em forma de poema metaforicamente sombrio. A saga vai se tornando mais lenta, mais divagativa e mais poética.

mil-e-uma-noites-volume-3-o-encantado

Em “Xerazade” os roteiristas se detêm na forma de pensar das mulheres e de ver o mundo, através da personagem da contadora de histórias. Em “O Inebriante Canto dos Tentilhões” as fabulações são sobre mentalidade e sobre uma forma de viver que beira a extinção e fecha sua viagem por um espaço/tempo de um ano  de forma subjetiva, silenciosa e de alerta. Com “Floresta Quente” quase que grita: Cuidado: os chineses vem aí !!! mostrando uma manifestação violenta organizada pelo sindicato dos seguranças embalados por “Perfídia” de Alberto Domingues interpretado pelo trio Los Panchos, em slow motion com uma narrativa em off de uma chinesa que conta sua história de amor e tragédia com um português abastado.

as-mil-e-uma-noites-volume-3-o-encantado

A primazia de “As Mil e Uma Noites: Vol 3, O Encantado” estão na música, no som e no s silêncios. A sensação deslocada que a música proporciona nas condições em que é posta e na narrativa escrita que obriga o espectador a esquecer a imagem e ficar com o canto dos tentilhões. E a música brasileira mais uma vez é premiada com “Fala” interpretada por Secos & Molhados e  “Samba da Minha Terra” de Dorival Caymmi. Em tempo: “Floresta Quente” em termos metafóricos, possivelmente, seja o melhor episódio de toda a trilogia.

d3b3799d6611d677944f5f86a500beb3_xl-1024x576

Essa obra-prima de Miguel Gomes dividida em três partes e de abordagem extensa e ousada é para poucos olhos. Os cinéfilos de plantão, os sociólogos, os antropólogos, historiadores, contadores de histórias  e todos os que gostam de divagações em que os diálogos sejam a base do que se quer desenhar, vão saber aprecia-la. Sem efeitos especiais, sem trilha sonora estardalhaçante ou emotiva, com uma fotografia singela e simples do tailandês Saymbhu Mukdeeprom, muitas histórias para contar e, igualmente, muitas analogias para fazer a trilogia “As Mil e Uma Noites” do diretor português Miguel Gomes vale mais do pesa. E o motivo peloo qual tudo isso foi feito, o próprio diretor explica no início da saga, no volume 1: para sobreviver e porque não poderia se furtar de, tendo o privilégio de trabalhar no que gosta, num contexto tão conturbado na política do país, ficar alheio a tudo isso. Como vemos a missão foi cumprida e bem.

 

Advertisements

About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
This entry was posted in crítica cinematográfica and tagged , , , , , , , , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s