A Cidade Onde Envelheço

A Cidade Onde Envelheço (Where I Grow Old) (Drama); Elenco:  Francisca Manuel, Elizabete Francisca, Paulo Nazareth; Direção: Marília Rocha; Brasil/Portugal, 2016. 99 Min.

Não, não é um filme lésbico, embora seja essa uma primeira impressão de quem assiste ao trailer. É um filme sobre o cotidiano de amizade entre duas amigas de infância que estão construindo suas vidas e buscando caminhos de sobrevivência.  Vencedor de 3 Candangos no Festival de Brasília, “A Cidade Onde Envelheço” faz um percurso oposto de “Estive em Lisboa e Lembrei de Você”. Se neste um brasileiro migra para Lisboa em busca de uma vida melhor, naquele duas portuguesas vem viver no Brasil, mais especificamente, na grande belo Horizonte, e se deparam com a realidade: sobreviver numa cidade grande, num país com costumes diferentes dos seus. O filme traz atravessamentos e, mais do que isso, uma mensagem sobre tomar as rédeas da própria vida e administrar incertezas. O que no universo feminino é de uma potência e tanto.

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Francisca ( Francisca Manuel) é uma portuguesa que veio para o Brasil ganhar a vida e lava pratos em um restaurante de Belo Horizonte. No seu rastro vem a amiga de infância Teresa (Elisabete Francisca) cheia de sonhos e planos. O longa-metragem disserta sobre essa amizade, sobre o cotidiano das duas, do que pensam das relações entre as pessoas, como as constitui e a atitude de cada uma diante da vida. O recorte é bem simples e a bordagem também. O chão é o cotidiano e as diferenças culturais num viés leve, bem diferente de “Estive em Lisboa e Lembrei de Você” (2015).

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Escrito por João Dumans e Thais Fujinaga, ambos iniciantes, juntamente com a diretora Marília Rocha que se aventura pela primeira vez na seara da ficção ( e aqui não vai nenhum demérito, pelo contrário), a história tem poesia atravessada pela cidade de Belo Horizonte e embalada por Caetano Veloso na trilha sonora. A fotografia de Ivo Lopes Araújo de “Ausência” (2014) e “Campo Grande” (2015) é um presente à parte. “A Cidade Onde Envelheço” é um filme realizado com poucos recursos e com atores desconhecidos que consegue mostrar na telona a vida cotidiana com seu ir e vir, com todo o seu nonsense e imprevistos sem a menor pretensão de controle ou de chegar a conclusões. É uma boa pedida para a galera que curte ver e ouvir as narrativas do cotidiano.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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