Fragmentado

Fragmentado (Split) (Horror/Thriller); Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lee Richardson, Jessica Sula; Direção: M. Night Shyamalan; USA, 2016. 117 Min.

Desde “Sexto Sentido” (1999) que Shyamalan não para o trânsito, com “Fragmentado” ele chegou bem perto, gerou um bom engarrafamento para descambar no final. Seja porque a abordagem abarque a autossabotagem, seja porque  ele quis brincar com ela, ou porque aconteceu mesmo. M. Night Shyamalan é um diretor indiano que adora desconstruir suas próprias histórias. Esse é, mais ou menos, o caminho de suas abordagens. Em “A Visita” ele usou isso o tempo todo, na verdade a desconstrução foi seu brinquedo na exibição inteira, fosse para desconstruir os clichês do gênero terror, fosse para desconstruir a história em si. Mas em fragmentado ele se superou.

Com roteiro e direção assinados por ele o filme versa sobre um assunto difícil na seara da psicologia e psiquiatria, o Transtorno Dissociativo de Personalidade (TDI) vulgo, múltiplas personalidades, um distúrbio que existe de fato, e o faz com muita propriedade e seriedade. A ponte que faz essa ligação é Drª Karen Fletcher (Betty Buckley) que vai esclarecendo questões que são mais técnicas sobre o assunto. Para torna-lo um filme com uma história vendável o roteiro decide por um sequestro triplo. Kevin Wendel (James McAvoy) e toda a sua horda (são 23 personalidades, e interpretadas são 9) sequestram três meninas: Case (Anya Taylor-Joy), Claire (Haley Lee Richardson) e  Marcia (Jessica Sula). Enclausuradas elas vão se deparando com outras ‘pessoas’ na pele do mesmo indivíduo. Dennis:a personalidade preponderante que divide espaço de poder com o Kevin; Patrícia: uma dama educada; Hedwig: um menino de 9 anos e por fim, uma outra que está para eclodir: a besta. A quem todos os 23 temem. A história é simples, meninas presas que querem fugir, com alguma apelação sexual, inclusive. E um algoz (Dennis) que as pune e maltrata. Sem um fim específico em si, a história é um mosaico das possibilidades da mente humana com um show dado à parte por James McAvoy, que está simplesmente extraordinário.

A construção dessa história é feita com a cola explicativa para o grande público dada pela personagem de Betty Buckley e funciona muito bem. A questão é que a abordagem prima pela múltiplas personalidades como uma potencia evolutiva real e não como um defeito. E ao final Shyamalan descamba para outra coisa tirando a vibe de seriedade e debochando de si mesmo. E assim ficou com cara de continuação e caiu no colo de “Corpo Fechado” (2000). Mas, tirando esse detalhe técnico que é cisma de crítico, o diretor parece que enfim saiu do limbo.

Fragmentado vale o ingresso. E é Shyamalan sendo Shyamalan, quase que dizendo que sabe que é bom mas que não quer constranger ninguém….é, precisamos falar sobre o Kevin. Vaticinando: “Fragmentado” é a fênix de M. Night Shyamalan.

About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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