Eu, Olga Hepnarová

Eu, Olga Hepnarová (Já, Olga hepnarová/I Olga Hepnarová) (Biografia/Crime/Drama); Elenco: Michalina Olszanska, Martin Peclát, Klára Melisková; Direção: Petr Kasda & Tomás Weinreb; República Tcheca/Polònia/França/Slovakia, 2016. 105 Min.

É interessante notar o quanto os filmes de produção independente, de conteúdos questionadores e poderosos em argumentação são apagados do circuito, passam ‘batido’, têm pouca bilheteria e nunca são pirateados. Sua divulgação é pequena e lhes restam apenas serem estrelas em conversas de bar de grupos de intelectuais,  resta-lhes serem vedetes de ‘papo-cabeça’. “Eu, Olga hepnarová” é um desses casos. Produção Tcheca em conjunto com a polônia, França e Eslováquia. O filme conta a história da última mulher executada na Tchecoeslováquia. O tempo histórico é a década de 70. Mas, o mais intrigante é que  a obra faz uma radiografia pela mente de assassinos em potencial. Os seus desajustes e até onde a sociedade tem responsabilidades com a formação desses indivíduos.

Olga (Michalina Olszanska) é uma menina de 16 anos, de classe média, que tem problemas de relacionamento com a família e não tem amigos. Após tentar suicídio e, silenciosamente, pedir socorro, é tratada com frieza pela família. Sai de casa e os problemas de sociabilidade continuam. Até que decide punir a sociedade pelo desprezo que recebe, e em nome de todos os perseguidos e não respeitados em suas diferenças ela arquiteta um plano de  vingança. O filme nos traz remetência a “Tiros em Columbine” (2002) e “Sorry, Haters” (2005) em relação ao ódio; nos lembra ainda “Ninguém Deseja a Noite” (2015) em sua angústia invernal; e “Azul é a Cor mais Quente” (2013) em sua transversalidade da sexualidade como uma vertente de transgressão.  A narrativa é uma mistura de nuances da personalidade de Olga e de aspectos de sua vida pessoal. O contexto é a Tchecoeslováquia de 1973.

Tecnicamente, o filme foi feito para causar no espectador as sensações da alma de Olga. Sua fotografia em P&B com tons acinzentados, assinada por Adam Sikora de “O Moinho e a Cruz” (2011) nos traz  tristeza e letargia. A direção é do documentarista Tomás Weinreb que estreia na ficção  e do estreante em direção Petr Kazda. Os dois também são responsáveis pela roteirização da história escrita por Roman Cilek. O filme tem takes longos que incitam a reflexão e o vaguear o olhar. Tem conteúdo sexual e é de linha existencialista com um viés bastante feminino. ( o que é de se admirar sendo dirigido por dois homens) E essa é a magistralidade do filme, ele tem nuances de masculinidade com uma abordagem de olhar feminino.

“Eu, Olga Hepnarová” é uma visão por tabela de um processo de suicídio que lembra o caso real de Aileen Wournous – a primeira mulher considerada assassina em série dos Estados Unidos – “Eu Olga Hepanarová” é um filme forte que faz pensar na miserabilidade da vida, apesar das festas. Numa palavra? Tremendo!

  • Disponível no Itunes (com qualidade) e  em outras plataformas online.
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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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