Mulher Maravilha

Mulher Maravilha (Wonder Woman) (Ação/Aventura/Fantasia); Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Ewen Bremmer, Danny Huston; Direção: Patty Jenkins; EUA/China/Hong-Kong/Reino Unido/Itália/Canadá/Nova Zelândia, 2017. 141 Min.

Criada por Charles Moulton e desenhada por H.G Peter, a Mulher-Maravilha é a segunda super-herói feminina das Histórias em Quadrinhos. A primeira foi Sheena, criada em 1938 e depois veio “Wonder Woman” na década de 40.  Surgida na All Star Comics #8, a personagem é uma princesa amazônica da ilha de Themyscira de linhagem greco-romana e faz parte da trindade da D.C Comics (Superman/Batman/Mulher-Maravilha).

Na mídia audiovisual ela se estabeleceu na década de 70 através da interpretação da atriz Linda Carter, numa série de TV que levava seu nome. Em 2009 foi alvo de uma animação dirigida por Lauren Montgomery. Em 2011 virou filme para TV estrelado por Adrianne Palecki  e dirigido por Jeffrey Reiner. Agora, em 2017,  resultado de um projeto da década de 90, finalmente a super-heroína virou filme para cinema estrelado pela israelense Gal Gadot em modalidade  live-action com uma pegada bastante especial e dirigido por uma mulher, Patty Jenkins.

Produto do financiamento de um pool de países (USA/China/Hong-Kong/Reino Unido/Itália/Canadá/Nova Zelândia) o novo filme da mulher semi-deusa que pertence à liga da justiça faz um analogia apreciativa entre homens e mulheres, valoriza as diferenças e o talento de cada um, desmistifica o conceito de mitologia,  e faz uma jornada pela saga do amadurecimento e contextualização de mundos, sem esquecer da comercialidade e do grande mote dos filmes de aventura: as batalhas campais. E como se não bastasse, ainda confronta crenças e valoriza a força em lugar da sensualidade, o que não seria comum no gênero.

O possível  segredo do sucesso de “Mulher-Maravilha” é que o filme consegue conversar com todo mundo, homens e mulheres, independente da idade. Ali tem-se uma personagem lapidada de forma madura, sem deixar de ter comercialidade. Tanto pelo uso adequado da quantidade e intensidade das batalhas, quanto no romance, que é bem temperado. E ainda tem hilariedades. Não existe guerra dos sexos, não existe exacerbo feminista, não existe nacionalismos, nem propósito de representatividade, isso está nos olhos de quem vê. O que há é uma bela apresentação da personagem dos quadrinhos para o universo estendido do cinema dando uma competente introdução à “Liga da Justiça” que estreia em novembro (2017).

Patty Jenkins é conhecida pela sua sensibilidade, percepção apurada e abordagem precisa. Haja vista o filme “Monster: Desejo Assassino” (2003), dirigido por ela e que conta a história de Aileen Wournos, a primeira mulher tida como serial killer dos EUA. A forma de contar a história da Mulher-Maravilha, apresentando suas origens e os aspectos mais importantes de sua trajetória (conhecer Steve Trevor – Chris Pine-  e a perda de sua ingenuidade) em relação ao mundo é obra de Alan Heinberg e Zack Snyder. Aquele conhecido pelo roteiro de séries famosas cujos personagens femininos são marcantes, como: “Sex and the city” ((2000-2002); “Gilmore Girls” (2002); “The O.C” ((2003-2008) e “Grey’s Anatomy” (2006-2010). E Zack Snyder dispensa apresentações, sendo  também  o produtor do longa.

Os aspectos a serem destacados na produção, além da interpretação de Gal Gadot, é a trilha sonora assinada por Rupert Gregson-Williams de “Até o Último Homem” (2016) onde a música também tem uma importância cabal. A fotografia de Matthew Jansem de “Games of Thrones” e a edição primorosa de Martim Walsh, oscarizado por “Chicago” (2002). O longa, até agora, por sua revitalização competente da heroína em nosso imaginário, já ultrapassou grandes bilheterias do cinema mundial, surpreendendo a todos, inclusive seus produtores.

Em suma, atirou-se no que viu e acertou-se no que não haviam visto. Pelo cachê pago a Gal Gadot ninguém estava apostando em tanto sucesso. O live-action é um tiro no escuro. “A Bela e Fera” foi um sucesso, já “O sétimo Filho”, “A Grande Muralha” e “A Múmia” soam como retumbantes fracassos. Mas parece que até aqui “Mulher Maravilha” é sucesso de público e de crítica, pelos aspectos aqui abordados e pelos que nos escapa (todos temos um ponto cego). Logo seria de bom tom renegociar o cachê da moça para Mulher Maravilha 2. Para quem ainda não viu e curte HQs é altamente recomendável como um dos filmes de super-heróis do ano.

 

Advertisements

About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
This entry was posted in crítica cinematográfica and tagged , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s