Perdidos em Paris

Perdidos em Paris (Paris Pieds Nus) (Comédia); Elenco: Fiona Gordon, Dominique Abel, Emmanuelle Riva, Pierre Richard; Direção: Dominique Abel & Fiona Gordon; França/Bélgica, 2016. 83 Min.

Seleção oficial do Festival Varilux de Cinema Francês e ganhador do prêmio Pérola Rara do Festival Internacional de Denver e, ainda, do prêmio do público no Festival de Mill Valley “Perdidos em Paris”  é uma homenagem aos filmes da década de 50 inspirados em comediantes como Charles Chaplin, Jacques Tati e Buster Keaton. Com tiradas de cartoon e uma expressão corporal magnífica, o longa dirigido por Dominique Abel e Fiona Gordon é uma comédia estilosa e artísticamente bem acabada.

A história consiste na procura por tia Martha (Emmanuelle Riva) que, após décadas vivendo em Paris, se aposentou como dançarina e está prestes a ser mandada para um asilo. En fuga, Tia Martha, escreve para sua sobrinha Fiona (Fiona Gordon) que sai do Canadá e vai a Paris encontrá-la. Se perde, encontra um mendigo de bem com a vida, Dom (Dominique Abel) e essas três criaturas peculiares se procurando em Paris entram nas mais inusitadas e hilárias situações. Inspirado nos filmes: “Em Busca do Ouro” (1925) de Charles Chaplin; “Zazie no Metrô” (1960) de Louis Malle e; “O Atalante (1934) de Jean Vigo a comédia caricatural, escrita, dirigida, estrelada e produzida por Abel & Gordon é uma pérola que nos faz viajar pelo que tinha de clássico nas comédias do início da história do cinema. Aos mais ‘jovens’ nos remete às trapalhadas de Mr. Magoo. E ainda nos brinda com um tango dançado por Dom e Fiona e uma outra cena com Emmanuelle Riva e Pierre Richard no cemitério de Passy que é emocionante. Além de uma cena especial que é quase uma despedida de Riva no alto do Rio Sena contemplando toda Paris. A atriz faleceu três meses antes da estreia do filme na França.

O casal protagonista são parceiros na vida real há mais de 30 anos. Fiona foi palhaça profissional de circo e os dois se conheceram nesse metiê. Trabalham em conjunto com o diretor e roteirista Bruno Remy que aparece como figurante na cena do restaurante ( fato raro). Primo distante de Chaplin, Dominique Abel não nega a genética com uma expressão corporal que salta a tela, mesmo com sua caracterização de morador de rua.

O filme se destaca pelas atuações e a sincronia delas. Mas a trilha sonora rouba a cena. Principalmente nas duas execuções de “O  Último Tango em Paris” de Gato Barbieri. Para que gosta de arte em forma de comédia, com uma história simples. E como souvenir uma das últimas atuações de Emmanuelle Riva, “Perdidos em Paris” é um bom prato.

 

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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