O Estranho Que Nós Amamos

O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled) (Drama); Elenco: Colin Farrell, Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Elle Hanning, Oona Laurence, Angourie Rice, Addison Riecke, Emma Howard; Direção: Sofia Coppola;  USA, 2017. 93 Min.

“Nada mais assustador do que uma mulher armada”

(The Beguiled, 2017)

Ganhador do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes “O Estranho que Nós Amamos” é uma adaptação literária e uma nova versão em relação à de 1971 dirigida por Donald Siegel e estrelada por Clint Eastwood. A versão de Sofia Coppola retira a escrava, intensifica a tensão sexual, dá um pouco de ênfase ao conto de chapeuzinho vermelho, insere um discreto suspense e libera as metáforas relativas a alma feminina através da fotografia e às fases da relação homem/mulher no que diz respeito à linha narrativa da história. Sob o viés do olhar feminino desmistifica a fragilidade.

O ano é 1864, em plena Guerra de Secessão. O espaço, uma fazenda sulista, e o conteúdo narrativo: o socorro a uma soldado yankee numa escola para mulheres sem nenhuma proteção. Esse é o balão de ensaio para Sofia Coppola, que dirigiu e roteirizou o longa baseado no livro de Thomas Cullinan, contar a história de oito mulheres e sua desventura em uma casa grande, que nos remete à fazenda de Tara de “…E O Vento Levou” (1939), ao resolverem socorrer o cabo McBurney (Colin Farrell). O viés é o de sedução. A ênfase é nas formas diferentes de encantamento das mulheres que variam conforme o nível de maturidade. O armistício feminino, a falta de corporativismo e empatia e os usos que são feitos disso pelos homens. Em suma, o longa tem camadas de abordagens que correm emparelhadas entre si com uma competência louvável.

Em relação aos aspectos técnicos, o mais preponderante dentre todos, que são específicos para filmes de época como direção de arte e figurino, é a fotografia,  que nos remete a obra-prima de Stanley Kubrick “Barry Lyndon” em que a filmagem à luz de velas ficou absolutamente explendorosa. Em “The Beguiled” (no original) essa façanha é obtida nos takes noturnos e nos remete metaforicamente aos mistérios da alma feminina em seus tons sombrios e recônditos, que é cunho de abordagem de Sofia Coppola. Mas o grande diferencial é mesmo a direção que se distancia elegantemente da versão de 1971 e se impõe com uma percepção e viés feminino de abordagem.

“O Estranho que Nós Amamos” não é uma história inédita, é um ‘remake’. Uma versão bem desenhada sobre como funciona a tensão sexual entre as mulheres em relação a um homem e desmistifica a fragilidade feminina numa aura de mistério muito bem posta na história ( atentem para quem tem a ideia derradeira), que por sua vez é magistral. Para se ter a noção do olhar de Sofia sobre a história é recomendável que assistam antes a versão de Donald Siegel (disponível no Youtube). O longa-metragem vale cada minuto de exibição.

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About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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