Malasartes e o Duelo com a Morte

Malasartes e o Duelo com a Morte (Comédia); Elenco: Jesuíta Barbosa, Isis Valverde, Julio Andrade, Milhem Cortaz, Leandro Hassum, Vera Holtz; Direção: Paulo Morelli; Brasil, 2017. 110 Min.

Baseado no folclore ibero-americano “Malasartes e o Duelo com a Morte” conta a história do malandro caipira quando de seu quase-passamento  dessa pra melhor. O tipo de história que faz gosto de contar e de ouvir. Não teve quem não caisse nas graças de contar histórias com a ‘mardita’ da malfadada morte. De Ingmar Bergman com “O Sétimo Selo” a Woody Allen em seu livro “Cuca Fundida” no conto “A Morte Chama”. E tantas outras anedotas cotidianas, bem populares em que a ‘tal’ é lembrada, temida e chacoteada.

No filme dirigido e roteirizado por Paulo Morelli a trama foi idealizada durante 30 anos e hoje, com as possibilidades dos efeitos computacionais,  ganhou corpo até sair do papel. “Malasartes e o Duelo com a Morte” é o primeiro filme nacional com 50% das filmagens com efeitos especiais. (Confira!). A história se divide entre dois mundos justificando assim as diferenças de gramática cinematográfica e as duas linguagens que são costuradas pelo enredo. Este, se resume em pôr o esperto, astuto, cínico e cheio de artimanhas, Pedro Malasartes, (Jesuíta Barbosa) a enganar a morte (Julio Andrade). Que por sua vez, cansada de ceifar vidas resolve passar o bastão e conseguir um substituto, Malasartes. Que quer, mas não quer, e as peripécias vindas desta questão são rápidas, sagazes e engraçadas, é óbvio.

A personagem de Pedro Malasartes apareceu pela primeira vez no século XIII, e já foi componente de variantes culturais diversas como: a literatura, a ópera, o cinema de Mazzaropi, paródia no “Os Trapalhões”, canções sertanejas, e personagem de série infantil como “O Sítio do Pica-pau Amarelo” e da Cia Circunstância, um grupo mineiro de circo-teatro. Além de ter sido alvo de uma  pesquisa  do antropólogo Roberto DaMatta. Pedro Malasartes está com tudo não está prosa.

Os responsáveis pelo hibridismo dos estilos cinematográficos bem sucedidos são Ricardo Bordal (supervisor de VFX), Tulê Peake (Diretor de Arte) e Adrian Teijido (diretor de fotografia) de “Elis” (2016). Merecem menção Jesuíta Barbosa de “Trash: A Esperança Vem do Lixo” (2014) e Julio Andrade de “Redemoinho” (2016) que estão afinadíssimos num elenco de respeito, que conta com a narração de Lima Duarte e a participação especial de Vera Holtz.

Para fechar, “Malasartes e o Duelo com a Morte” tem cheiro de “O Auto da Compadecida” com um toque tecnológico e aumenta a lista de produtos culturais em que o personagem folclórico faz das suas. O longa diverte e ainda insere o cinema brasileiro no uso de tecnologias virtuais. Para quem gosta de comédia com raízes regionalistas é uma boa pedida.

 

 

About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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