O Castelo de Vidro

O Castelo de Vidro (The Glass Castle) (Biografia/Drama); Elenco: Brie Larson, Woody Harrelson, Naomi Watts; Direção: Destin Daniel Cretton; USA, 2017. 127 Min.

Baseado no livro autobiográfico de Jeannette Walls, editora da New Yorker Magazine, “O Castelo de Vidro” conta a história da infância e  juventude de Jeannette traçando um painel de sua vida familiar, da condição social de fragilidade e de como conseguiu dar a volta por cima – embora o viés não seja esse. Impossível não traçar um paralelo com o filme “Capitão Fantástico” pela sua abordagem de desconstrução dos valores concernentes a sucesso instituídos oficialmente.

Jeannette Walls nasceu num lar pobre, com pais desconectados da realidade vigente e com dissonância muito grande entre negligência e cuidado. O forte do longa-metragem dirigido por Destin Daniel Cretton são as atuações, a direção de arte e o designer de produção. A história, por si só, já é impactante e para lá de fora do lugar comum, sendo roteirizada pela própria autora, juntamente, com Andrew Lattam de “A Cabana” e o próprio diretor. As atuações de Brie Larson de “O Quarto de Jack” (2015) e Woody Harrelson de “Truque de Mestre: 2º ato” (2016) são viscerais e críveis. Para completar o quadro Charlotte Rouleau de “O Dono do Jogo” (2014) na direção de arte e Suzanne Cloutier de “Brooklin” (2015) na decoração de set fecharam a tampa na harmonização e coerência  na história.

Destin Daniel Cretton de “Temporário 12” (2013) e “I Am not a Hipster” (2012), juntamente, com a edição de Nat Sanders de “Moonlight” (2016) transmite a dualidade de sentimentos das crianças, adolescentes e depois adultos, em relação ao amor que sentiam pelos pais e a necessidade de se libertarem deles para viver num mundo real com todos os seus incômodos que isso significa de forma magnífica.

O que se sente depois de assistir ao filme é orgulho da resiliência humana e da capacidade que temos de perdoar e seguir em frente. “O Castelo de Vidro” é uma homenagem a um pai paradoxal que não sabia o que era empatia, e um ajuste de contas de Jeannette consigo mesma.  O filme é uma excelente pedida para quem gosta de refletir sobre relatividades.

About Sonia Rocha

Crítica Cinematográfica, Professora de Filosofia e História, Mestre em Educação (UERJ) e Pesquisadora de Cinema e Educação.
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