Norman – Confie em Mim

Norman – Confie em Mim (Norman: The Moderate rise and Tragic Fall of a New York Fixer) (Drama/Thriller); Elenco: Richard Gere, Lior Ashkenazi, Charlotte Gainsbourg; Direção: Joseph Cedar; Israel/EUA, 2016. 118 Min.

Com título original com cara de trabalho acadêmico, em tradução livre: “Norman: A Moderada Ascenção e a Trágica Queda de um Faz-tudo de New York” o mais recente filme de Joseph Cedar é uma produção israelense com um veio político inteligente, mas com uma abordagem leve e engraçada.

Norman Oppenheimer (Richard Gere) é um homem de bem, comum e que procura ocupar o seu tempo ajudando pessoas. Seu hobbie são as relações sociais e suas conexões. A partir dessa mania ele esbarra com um futuro político importante,faz apostas com amigos sobre como conectar pessoas através da ajuda e da solidariedade trabalhando por um bem comum, mas o faz como se fosse um operador da bolsa de valores. Possivelmente, uma metáfora para o que seria o seu capital.

A questão que move o roteiro é a de que Norman é um cara que quer consertar o mundo, conectando-o. Quer provar para si e para os demais que o ser humano é nobre, que o bem sempre vence, e que existe humanidade, solidariedade, generosidade e respeito entre as pessoas como se fosse uma grande corrente. Mas, dentro desse contexto dar uma alfinetada na politica não cai mal,  versar sobre o processo de paz no Oriente Médio,  içar um homem simples aos píncaros da glória pelos seus feitos e mostrar a sordidez humana fazem parte do pacote. E o forte dessa empreitada é a abordagem, que abarca um tema tão subjetivo e intrincado combinado com outros temas.

Falar de influência presume reunir áreas diferentes, camadas diferentes, interesses diferentes e poderes diferentes e fazer tudo  isso tudo numa linguagem aberta como a imagética, não á para qualquer um. Joseph Cedar do excelente “Nota de Roda-pé” (2011) que dirigiu e roteirizou o longa, realizou essa façanha com maestria. Porém, há que se prestar muita atenção no enredo, pois os aspectos são sobrepostos, os diálogos são rápidos e a vibe é muito engraçada.O que soa dissonante, mas é proposital e quem faz isso com competencia é a trilha sonora de Jun Miyake de “Comer, Rezar e Amar” (2010). Outro aspecto que merece destaque é a atuação de Richard Gere, que é mais lembrado por “Uma Linda mulher” (1990) do que pelo seu globo de Ouro por “Chicago”(2002) e está estupendo em “Norman”.

“Norman – Confie em Mim” (versão brasileira) é uma produção israelense, dirigida por um americano, protagonizado por um budista e que fala sobre consertar o mundo. Para olhos atentos é um diamante.

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Belo Monte: Um Mundo Onde Tudo é Possível

Belo Monte: Um Mundo Onde Tudo é Possível (Documentário); Direção: Alexandre Bouchet; Locução: Roberto Frota; Brasil, 2017. 70 Min.

Impossível não ressaltar a ironia do título que nos chama, automaticamente, para os sonhos e milagres de acordo com o nosso arcabouço de imaginário social e literário. “Belo Monte: Um Mundo Onde Tudo é Possível” é a radiografia de tudo o que há de mais arbitrário e vil. Um mosaico da maldade e da crueldade humana. Isso não só em relação às pessoas e suas conexões de sociabilidade e exercício de poder, mas em relação ao meio ambiente.

Belo Monte é uma obra polêmica desde sempre. Pelo impacto ambiental, pelo tanto de prejuízos humanos (deslocamento de populações, aí incluídos os indígenas) em contraponto com os benefícios que trará para o pais – geração de energia. Não é a primeira vez que Altamira esteve sob os holofotes do cinema. Em 1989 Neville D’Almeida em seu documentário “Encontro Amazônico” já registrava o embrião de toda essa celeuma. O Viés condutor foi o protesto dos Kaiapós contra o projeto do BIRD de financiamanto de cinco barragens hidrelétricas a serem construídas no Pará. Em 2012, André D’Elia dirigiu “Belo Monte: Anúncio de uma Guerra” e, em 2016 Todd Southgate dirigiu “Belo Monte: After the Flood”, todos documentários produzidos pelo Brasil. Agora é a vez de Alexandre Bouchet dirigir outra obra sobre a questão. Nesta o viés é jornalístico, traz informações e procura se isentar de criar juízo de valor, mas chama os indígenas de invasores um tanto número de vezes e com tanta ênfase, que tem-se a impressão da continuação irônica do título, só faltou as aspas.

Alexandre Bouchet tem no currículo a produção de dois documentários. “Belo Monte: Um Mundo Onde Tudo é Possível” é sua primeira direção. Com locução de Roberto Frota e texto de Edison Martins, o documentário é um registro de confrontos de interesses. Um painel do crescimento da miséria e um mosaico de nossas ruindades, de nosso egoismo, falta de senso e ganância. Para não falar da tolice de se destruir o único lugar que podemos, até então, viver: o planeta. O que pode parecer engajamento, mas é apenas bom senso.

“Belo Monte: Um Mundo Onde Tudo é Possível” é mais um filme sobre questões ambientais, conflitos de terras e ideológicos. E que mapeia quem somos nós e do que somos capazes por pura ganância e ignorância.

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Paterson

Paterson (Comédia/Drama/Romance); Elenco: Adam Driver,  Golshifteh Farahani, Dog Nellie, Rizwan Manji; Direção: Jim Jarmusch; USA/França/Alemanha, 2016. 118 Min.

Jim Jarmusch conseguiu com “Paterson” colocar na telona o processo de criação da poesia, analogizando com um cotidiano comum. O cineasta conhecido, pelo também poético “Daunbailó” (1986) faz, num recorte de tempo de uma semana, um passeio pelo modo de ver a vida e pelo mosaico de pensamentos de Paterson (Adam Driver). O filme é uma ode à poesia, ao talento natural de ver as coisas de diferentes formas, à vida e suas preciosidades mesmo com suas chaturas. “Paterson” é um certificado de que o cinema, com sua linguagem imagética e aberta também atua na seara do subjetivo extremo. E a palavra que define essa preciosidade é: simplicidade.

Paterson é um jovem e pacato motorista de ônibus da linha #23Paterson, do bairro de Paterson na cidade de New Jersey. Como se não bastasse tanta mesmice, sua rotina é quase que a de um portador de TOC (Transtorno Obssessivo Compulsivo), tudo na mesma hora, do mesmo jeito, o mesmo trajeto…mas a mente de Paterson, sua forma de ver o mundo e de fazer analogias de coisas cotidianas com as   possibilidades de expressão delas, é sensacional. Sua mulher, Laura (Golshifteh Farahani) é uma artista plástica que pinta a casa inteira, sonha em tocar violão e se aventura na cozinha com guloseimas. O casal do mundo da lua, felizes com sua rotina é sui generis. E ainda tem o cãozinho Marvin (Nellie) que só falta falar e por tal, ganhou a Palma Dog no Festival de Cannes. “Paterson” é uma preciosidade no registro do processo de subjetivação e para tanto foi cercado de cuidados em sua produção.

Em primeiro lugar o poeta de referência é o da terra (New Jersey) Williams Carlos Williams. Em segundo, o bairro de Paterson realmente existe e em terceiro, os poemas que vemos no roteiro a povoar a tela é de Ron Padgett. Escrito e dirigido por Jim Jarmusch o longa-metragem é para ser sorvido até a última palavra. E como se não bastasse, Jim ainda se aventura na seara da trilha sonora tendo como companheiros o produtor Carter Logan e Sqürl de “Amantes Eternos” (2013). Tudo em Paterson” merece atenção, pois é primoroso e  detalhista. Da direção de arte de Kim Jenning de “Ponte dos Espiões” (2015) à fotografia de Frederick Elmes de “Veludo Azul” (1986), passando pelo figurino, designer de produção e decoração de set. Um primor!

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Jim Jarmusch conseguiu tirar New Jersey do contexto da máfia em “Família Soprano” e da fama de maior concentração de tolos por metro quadrado deixada por “D. House” e a inseriu no panteão da glória dos poetas. O filme por todas essas nuances foi contemplado com sete prêmios entre eles: melhor filme da Associação de Críticos Online de Boston, no FEST International Film Fest e no IOWA  Flm Critics Awards, alem de outras 27 indicações. Em tempo: Adam Driver de “Silêncio” levou prêmio de melhor ator no Sant Jordi Awards e da Associação de Críticos de Toronto.

Sempre é bom lembrar que “menos é mais” e que “deus mora nos detalhes”. Essas duas premissas compõem a definição desta obra-prima (pode ser chamada assim) de Jim Jarmusch, esse cineasta americano com pegada de europeu. Vale o ingresso, a entrega emocional e uma cópia na videoteca de casa. Brilhante!

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Apesar da Noite

Apesar da Noite (Malgré la Nuit) (Drama); Elenco: Kristian Marr, Ariane Labed, Roxane Mesquida; Direção: Phillippe Grandrieux; França/Canadá, 2015. 156 Min.

Phillippe Grandrieux está no panteão daqueles cineastas que têm um estilo próprio, marcante, quase que uma assinatura e que não estão nem aí para o que o mercado pensa deles ou como vão recebe-los. Se Gaspar Noé prima pelo absurdo, o dissonante e o violento, e Lars Von Trier por verdades desconcertantes, Phillippe Grandrieux brinca com o sórdido, com a sensorialidade, com o impacto não consentido na alma do espectador. Naquilo que ele (o espectador) tem de mais secreto. Em seu quarto filme de ficção Grandrieux segue a mesma vibe sensorial. Mas, dessa vez o viés são os instintos em sua potência máxima, sem fronteiras morais. O animalesco e o selvagem misturados ao viés da racionalidade, que nem por isso passa a ser mais nobre.

O filme tem uma história. Mas, ela é o que menos importa, nem é o principal. A coluna vertebral dessa narrativa é a digital de alma lasciva, o indizível. Os instintos puros são tidos como presença total, sem devaneios ou distrações – numa narrativa tardia que tenta orientar o espectador discretamente – mas, tudo o que é posto envolve volúpia e desejos dos mais sórdidos aos mais violentos. O filme é brutal e é para poucos. Não tem sexo explícito  e não precisa. Gaspar Noé em “Love” é mais comercial e softpornô do que Grandrieux que pode ser resumido como artístico e provocador. Phillippe prima pela arte visual, pela interpretação crua de um ser humano/bicho e mostra que quando inserimos racionalidade na questão ela vem eivada de poder espúrio, de dominação, de inveja, de destruição e de danosidades. Para Grandrieux em seu “Apesar da Noite” não existe nobreza no humano e amor é história da carochinha.

O cineasta francês foi premiado por seu primeiro filme “Sombre” (1998) com menção especial no Festival de Locarno. De lá para cá vem criando uma obra cinematográfica que abrange diversas áreas do audiovisual, envolvendo experimentações etc… Com uma pegada brutal na seara da sexualidade e dos usos dos sentidos e sensores do corpo Grandrieux recebeu por “Apesar da Noite” o prêmio de melhor filme não lançado da Sociedade Internacional de Cinéfilos e foi indicado a melhor filme de vanguarda no Buenos Aires International Festival of Independent Cinema (2016).

Quanto à parte técnica o roteiro foi escrito a oito mãos dentre elas as de John-Henry Butterworth de “Get On Up – A História de James Brown” (2014); e por Rebeca Zlotowski de “Grand Central” (2013)  para que ninguém reclame de violência contra a mulher. A seara do roteiro é o exercício da sexualidade, seja ela considerada desviante ou não. A música que exponencializa as reações no espectador é de Ferdinand Grandrieux e a fotografia é de Jessica Lee Gagné de “N.O.I.R” (2015).

“Apesar da Noite” é um filme visceral que faz um passeio pelo lado sombrio do exercício da sexualidade associada à sordidez da racionalidade. Um soco no estômago, brutal e provocativo!

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Pitanga

Pitanga (Documentário); Participações: Maria Bethânia, Chico Buarque, Gilberto Gil, Zé Celso Martinez; Direção: beto Brandt e Camila Pitanga; Brasil, 2017. 90 Min.

O documentário “Pitanga” dirigido por Beto Brandt e Camila Pitanga é um passeio pela história do cinema brasileiro tendo como atravessamentos o percurso estético, político e existencial da carreira do ator Antonio Pitanga. Em formato de conversas o longa-metragem apresenta o percurso artístico do ator entrecortada com uma energia que extrapola a tela e consegue fazer do espectador um participante das conversas.

“Pitanga” traz à baila o homem, o ator, o ativista e a grande alma que é Antonio Pitanga. A forma com a qual a exibição é conduzida dá espaço a sua alegria e espontaneidade, altamente contagiantes. Nas conversas temos de Joel Zito a Neville D’Almeida, de Paulinho da Vila a Chico Buarque, passando por Maria Bethânia, Caetano  e Gil, o documentário é um festival de sorrisos costurados por trechos de filmes em que Pitanga atuou ao longo de sua carreira que remontam a história do cinema brasileiro. Lembrando que o ator tem 77 anos.

Beto Brandt cineasta paulista, juntamente, com Camila Pitanga, que estreia como diretora, registram encontros de Antonio com amigos, familiares e  cineastas cuja montagem foi assinada por Julian Munhoz de “Pedro e Bianca” (série de TV- 2012/2013). O roteiro foi feito por seis cabeças dentre elas: José Carlos Avellar e Marçal Aquino e o resultado não poderia ser diferente. O filme foi premiado pela crítica na 40ª Mostra de São Paulo e pelo público na Mostra Tiradentes 2017.

“Pitanga” é para os que são fãs de documentários, do ator Antonio Pitanga, mas muito principalmente, do cinema brasileiro. É, já estava na hora de alguém contar a história desse deus de ébano do cinema nacional, num país mestiço no qual ainda reside tanto preconceito. Em tempo: a vibe do documentário não é o viés vitimista nem engajado é a alegria. Quem for ao cinema esperando uma história triste perderá a viagem, porque mesmo quando a barra pesa na narrativa a linha de fuga é a graça. O documentário “Pitanga” é conversa na sala de casa e vale o quanto pesa.

 

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Dolores – Uma Mulher, Dois Amores

Dolores: Uma Mulher, Dois Amores (Dolores) (Drama/História/Romance); Elenco: Emilia Attias, Roberto Birindelli, Guilhermo Pfening, Jandir Ferrari, Mara Bestelli; Direção: Juan Dickinson; Argentina/Brasil, 2016. 90 Min.

Produção argentina em parceria com o Brasil “Dolores: Uma Mulher, Dois Amores” conta a história de uma mulher à frente de seu tempo. Contextualizada na década de 40, em plena Segunda Guerra mundial, com os pés fincados nos pampas argentinos e a alma em suas ascendências de origem, o longa dirigido por Juan Dickinson faz analogia da guerra com o esfacelamento pessoal da família Hillary. E ainda situa historicamente o período anterior ao peronismo naquele país.

Dolores (Emília Dickinson) volta a Argentina para se solidarizar à família pela morte de sua irmã e dar apoio ao sobrinho de 9 anos. Nesse ínterim, se apaixona pelo cunhado, resolve querelas financeiras e se encanta por outro homem, Otávio (Roberto Birindelli). A época é o início da década de 40, o contexto: uma sociedade rural e moralista. O longa é um passeio de memória do sobrinho e que traz memórias históricas da Argentina para o seu viés. As atuações são tímidas e contidas, e é proposital, pois o primeiro nipe de atores são experientes e atuam em teatro, cinema e televisão. Logo, a distância, a sisudez, o insípido do gesto é da época e faz parte da história numa metáfora, possivelmente, relativa ao tempo histórico.

a história é do diretor Juan Dickinson, o roteiro dela ficou por conta de Roberto Scheuer de “Sotto Voce” (1996). A trilha sonora é do nosso Léo Gandelman e se destaca. Mas o que merece um olhar mais demorado é a direção de arte de Lucia Saravia, Danilo Furlano e  Merlinda Molina que são os responsáveis pelo transporte no tempo. Nos põe direto na década de 40 sem escalas.

“Dolores: Uma Mulher, Dois Amores” é tímido em sua transmissão. Seja por causa do período, seja pela opção classuda de abordagem, que está muito bem desenhado no figurino citadino e europeu, mesmo que a história se passe no campo. “Dolores” (no original) é um filme para poucos olhos e seleciona público em suas conexões comportamentais e históricas. Em suma, mais uma produção Brasil/Argentina, só que, em espanhol e esbanjando classe e sofisticação.

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Cães Selvagens

Cães Selvagens (Dog Eat Dog) (Crime/Drama/Thriller); Elenco: Nicolas Cage, Willem Dafoe, Christopher Matthew Cook; Direção: Paul Schrader; USA, 2016. 93 Min.

Roteirista de “Taxi Drive” (1976) e “Touro Indomável” (1980), Paul Schrader ataca de analista de personalidades desviantes, versando sobre o conceito de amizade no contexto do crime ‘desorganizado’ gerando risos e espanto, tudo ao mesmo tempo.

Três amigos completamente amorais, cujo vínculo se deu pelo violência e redução de pena no sistema prisional (gerando conexões por dívida) se juntam para tentar sobreviver e montam uma quadrilha para cometer pequenos delitos. O primeiro é Mad Dog (Willem Dafoe), um indivíduo sem nenhum controle ou senso moral. O segundo é Diesel (Christopher Matthew Cook), um cara fechadão que tem alguns parâmetros comportamentais dos quais não abre mão. Mas é psicótico. O terceiro é Troy (Nicolas Cage), o mais perto do que se poderia chamar de ‘normal’, portanto, o líder. Mas, quando liga no modo automático, não tem freios. Essa trinca vai lidar com situações cotidianas no mundo do crime e seus equívocos. Tudo isso numa obra em que Schrader usa takes de ação no estilo Luc Besson e outros de cunho reflexivo e lisérgicos à la David Lynch. Os referenciais são vários, mas destaco três: “Trainsnpotting” (1996), “Estrada Perdida” (1997) e “Dog Eat Dog” (2008) de Carlos Moreno.

Paul Schrader diretor de “gigolô Americano” (1980) mistura aspectos opostos como: realidade/fantasia; violência/compaixão; solidariedade/traição numa história bem bipolar que habita o limbo da lógica. A história é baseada no livro de Edward Bunker (1933-2005). Contando  com a participação de Willem Dafoe de “Pasolini ” (2017) o longa contém variantes muito loucas de abordagem comportamental. Lembra um pouco “Vício Inerente” (2014). As tecnicalidades como fotografia e roteiro ficaram com os iniciantes Alexander Dynan e Matthew Wilder. E a música com o comercial Deantoni Parks de “Plano B” (2010) que mandou muito bem. E ainda tem Nicolas Cage (para quem é fã). Paul Schrader aparece como a personagem El Greco.

Em suma, não é uma obra-prima mas é divertido e faz pensar. Quem disse que o lastro da existência é o nosso? Com bastante violência e alguma graça e por vezes, uma exígua compaixão “Cães Selvagens” brinca com os temas: psicopatia, sociopatia e esquizofrenia, enfim, com o dissonante. Com isso a classificação indicativa subiu para 16 anos. Para quem gosta da ‘vibe’ é uma boa pedida.

 

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